04/06/2026

Women Make Film

Dividida em 40 capítulos, num total de 14 horas, a série britânica destaca os estilos e façanhas das mulheres ao longo da história do cinema, pesquisando extensamente em várias épocas e continentes.

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A portentosa série, dirigida curiosamente por um homem - o irlandês Mark Cousins - é um verdadeiro curso de cinema, não só por seu fòlego, abrangência e duração. Trata-se de um mergulho original e apaixonado no cinema realizado por mulheres ao longo de várias épocas, debruçando-se mais especificamente sobre os trabalhos de 183 delas, de todos os continentes. A série foi exibida na programação on line do 25o Festival É Tudo Verdade. 
 
Fruto de um enorme trabalho de pesquisa, realizado ao longo de cinco anos, a série enfileira trechos de filmes dirigidos por mulheres, organizados por temas como aberturas de filmes, tons, apresentação de personagens, credibilidade, diálogos, enquadramentos, encenações, descobertas, jornadas, montagem, economia, relações adultos/crianças, close ups, surrealismo, sonhos, sexualidade e muitos mais. Em cada um destes seus 40 capítulos, traz reflexões instigantes sobre a criatividade destas mulheres, muitas das quais não conhecemos, ou conhecemos muito pouco, dado o sistemático apagamento destas profissionais em prol de seus colegas homens.
 
Desfilam pela tela nomes como o da ucraniana Larisa Shepitko, a romena Kira Muratova, a britânica Wendy Toye, a tunisiana Moufida Tlatli, a japonesa Kuniyo Tanaka e a francesa Sarah Maldoror além de outras mais conhecidas, como a belga Agnès Varda, a neozelandesa Jane Campion e a norte-americana Katryn Bigelow, além das brasileiras Petra Costa e Gilda de Abreu. De cara, é bom que se diga, ninguém se assuste com a profusão de cenas e fique com medo de perder alguma coisa neste fascinante turbilhão de imagens - todos estes títulos estão relacionados por seus temas, no site do filme. De modo que o melhor é relaxar e viajar neste road movie pela história do cinema das mulheres, esta “Academia de Vênus”, como o documentário define tão bem. 
 
Acima de tudo, a série fornece uma ferramenta essencial para que se reescreva a própria história do cinema, que foi sempre formulada a partir do ponto de vista e do domínio masculino. É mais do que hora de partir em busca das inúmeras novas direções a que este instigante documentário nos lança - embora suas 14 horas de duração exijam, sem dúvida, tempo e dedicação. Falta, também, uma maior participação das diretoras latino-americanas, Ainda assim, vale super a pena.

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