Mais de 30 anos depois de seu lançamento original, Hellraiser – Renascido do Inferno ainda mantém seu status de cult e boa parte de sua eficiência como um terror estiloso povoado por criaturas bizarras vindas da profundezas do inferno. Clive Barker, um escritor britânico do gênero, cansado de ver sua obra deturpada em adaptações, resolveu ele mesmo transformar sua novela The hellbound heart em filme, e fez o melhor possível mesmo com o baixo orçamento e os efeitos especiais pífios. O resultado, de qualquer forma, é eficiente.
As criaturas vindas do inferno são chamadas Cenobitas, e o mais famoso, que se tornou icônico, é seu líder com pregos espetados na cabeça. Baker já os definiu como demônios sadomasoquistas, e o figurino com couro e o uso de correntes não contradizem o autor. Elas vêm à superfície quando um pequeno cubo de metal é ativado, e o filme começa com Frank (Sean Chapman) trazendo-os à tona e perdendo sua alma, no prólogo do longa.
Pouco tempo depois, seu irmão, Larry (Andrew Robinson), e a mulher deste, Julia (Clare Higgins), mudam-se para a casa onde tudo aconteceu. Ela encontra o cunhado, seu antigo amante, num estado peculiar: ao conseguir fugir do inferno, ele está refazendo seu corpo pouco a pouco, começando pelo esqueleto, seguindo os órgãos internos, até chegar à pele. Para isso, ele precisa de sangue. Assim, ulia seduz homens desconhecidos e os leva ao sótão para que seu sangue sirva de alimento.
É uma festa gore que agrada aos fãs do gênero, numa trama bem amarrada, embora simples. Depois de Frank, será sua sobrinha Kristy (Ashley Laurence), que irá despertar os demônios e os trazer ao mundo, enquanto o tio cada vez mais ganha formas humanas. Hellraiser pode não ser mais muito impressionante com seus efeitos simples, mas a maquiagem caprichada, assinada por Sally Sutton e sua equipe, é marcante, assim como a criatividade de Barker para inventar seres infernais.
