É impossível assistir a Missão Planeta Terra atualmente sem colocar o filme em perspectiva do momento atual de isolamento. O documentário é sobre um grupo de pessoas que aceitou, pela ciência, passar dois anos isoladas numa biosfera criada artificialmente na década de 1990. Existe, obviamente, uma diferença entre eles naquela época, e o mundo hoje: eles optaram por fazer isso.
O experimento, que ficou conhecido como Biosfera 2 (a biosfera 1, é claro, é a Terra), era uma combinação de idealismo com questionamento construído no deserto do Arizona, dentro do qual, 8 pessoas, usando macacão laranja, tentaram construir um lugar autossuficiente que poderia ser reproduzido, no futuro, em colônias em outros planetas.
O documentarista Matt Wolf traz imagens inéditas desse projeto bancado pelo milionário Ed Bass, e monitorado por John P. Allen, um ecologista e engenheiro, entre outras qualificações. Os habitantes e as habitantes desse pequeno mundo tentam levar uma vida normal, enfrentando as dificuldades físicas e emocionais que surgem. Do lado de fora, também, o projeto recebe críticas, como protesto pela ausência de pessoas negras na equipe.
O assunto até hoje, três década depois, é pouco explorado, e Wolf se aproveita disso, criando uma narrativa instigante e intrigante sobre o destino da Biosfera 2. A montagem, assinada por David Teague, é capaz de dar forma à enorme quantidade de material, entrevistas e programas jornalísticos (muitos num tom sensacionalista) que aparecem no filme.
