O quadrinhista italiano Igor Tuveri estreia na direção de longa-metragens adaptando sua obra, 5 é o número perfeito, um noir napolitano sobre um assassino de aluguel que volta à ativa para vingar a morte do filho. Assinando como Igort, ele também é responsável pelo roteiro, seguindo o exemplo de Frank Miller e Marjani Satrapi, que também dirigiram adaptações de suas obras, Sin City e Persépolis, respectivamente.
O artista, aqui, pisa na sua zona de conforto, e talvez por isso se mostre bastante seguro, embora sem grandes ousadias. O visual do filme é sofisticado, com a bela fotografia de Nicolai Brüel em tons sóbrios e fortes, fugindo da obviedade de filmar em preto-e-branco.
Toni Servillo interpreta Peppino Lo Cicero, um matador de aluguel a serviço da Camorra que abandonou a profissão e vive numa Nápoles onde chove constantemente. Seu filho, Nino (Lorenzo Lancellotti), segue seus passos e, por isso, o pai acaba de lhe dar um presente valioso: uma Colt Cobra .38. Mas o rapaz não terá muitas oportunidades para aproveitar a nova aquisição, pois será assassinado logo depois.
5 é o número perfeito segue o caminho dos filmes de máfia, nos quais as zonas morais são turvas e os personagens, embora atormentados, seguem seu destino de continuar matando até que sejam mortos. Com o apoio de um antigo parceiro, Toto (Carlo Buccirosso), Peppino sai em busca dos responsáveis pela morte do filho. Voltar à ativa, o protagonista não nega, lhe traz certo prazer para sua vida tão monótona. Do seu passado, também vem uma mulher misteriosa, Rita (Valeria Golino, premiada com o David di Donatello por esse trabalho), cuja função no filme, basicamente, é desejar o protagonista, um papel raso para uma grande atriz.
Servillo, um dos melhores atores em atividade na Itália atualmente, é uma presença forte. Ele traz dimensão e profundidade ao personagem, coisa que nem sempre o longa está à altura de lhe dar em troca. O resultado é um filme estética e tecnicamente muito bem feito, de encher os olhos, mas emocionalmente frio, mesmo embora tenha a premissa forte de um pai vingando a morte do filho.
