04/06/2026
Fantasia Drama

Pinóquio [2021]

Gepeto ganha de um amigo um pedaço de madeira mágica e dele esculpe um boneco, que ele nomeia Pinóquio e que tem vida própria, andando e falando como se fosse uma criança. Gepeto o trata como um filho mas ele escapa em aventuras pelo mundo, que o colocam em perigo.

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Pinóquio, o famoso livro de 1883 de Carlo Collodi, atravessou três vezes a vida do ator Roberto Benigni. Primeiro, no set de  A Voz da Lua (1990), último filme de Federico Fellini, em que o ator atuou e ouviu do mestre de Rimini o sonho de fazer sua versão do boneco falante, em que Benigni atuaria. Não deu certo e Benigni dirigiu sua própria versão em 2002, na qual ter interpretado um Pinóquio um tanto envelhecido era um dos muitos problemas. Finalmente agora, com a versão de Matteo Garrone, Benigni parece ter encontrado um bom lugar, domando seu habitual histrionismo para caber na pele de um comovente Gepeto, o criador de Pinóquio que sonha ser pai.
 
Garrone, que já mostrara seu gosto pelo fantástico e grotesco no monumental O Conto dos Contos (2015), exerce novamente esta sua veia, resgatando o espírito original da história de Collodi, um tanto atenuada no desenho animado da Disney de 1940.
 
Assim, no roteiro elaborado a quatro mãos por Garrone e o ator Massimo Ceccherini, compõe-se uma visão nada edulcorada da infância e dos perigos da vida. Nascido de um pedaço de madeira de natureza mágica, Pinóquio (Federico Ialapi), encanta seu criador, o marceneiro Pinóquio, atenuando as angústias que vivia naqueles tempos de depressão econômica e miséria. O boneco falante acende a fagulha do sonho deste pobre homem, que sacrificou parte de suas poucas roupas para vesti-lo e também para comprar-lhe a cartilha que lhe permitirá o acesso à escola e à alfabetização.
 
Mas Pinóquio é temperamental e malandro, não quer saber de escola. Sua curiosidade indomável o conduz a aventuras num mundo que se mostra assustadoramente perigoso, a partir de seu rapto por um circo de bonecos, comandado a chicote pelo instável Come-fogo (Gigi Proietti). 
 
Desesperado pelo desaparecimento de Pinóquio, Gepeto sai à sua procura. Enquanto isso, o menino-boneco entra em uma situação arriscada atrás da outra, ignorando os conselhos do Grilo Falante (Davide Marotta) e caindo na conversa de malandros inescrupulosos como Gatto (Rocco Papaleo) e Volpe (Massimo Ceccherini) - que estão dispostos até a matá-lo para apoderar-se de moedas de ouro em seu poder.
 
Por esse espírito mais sombrio, que não superestima a natureza humana, não evita os conflitos nem atenua as crueldades do mundo, o filme de Garrone torna-se um espetáculo não tradicionalmente infantil, acenando a um público maior, entre adolescentes e adultos - apesar de que circulará nos cinemas em sua maior parte em cópias dubladas. 
Muito do orçamento e da energia do filme foram gastos a serviço de seu rigor técnico, que lhe valeu cinco prêmios David di Donatello: efeitos visuais, figurino, penteados, desenho de produção e maquiagem (esta, a cargo de Dalia Colli e, na parte protética, do oscarizado inglês Mark Coulier). Todo este empenho dá sustentação à história, permitindo-lhe criar o clima preciso de uma superprodução, talvez com uma duração um pouquinho excessiva.

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