21/07/2026
Terror

O mistério de Frankenstein

Uma jornalista começa a investigar uma trupe de artistas de teatro que chagam à sua cidade, e desconfia que sejam o grupo do Dr. Frankenstein, que descobriu a fórmula da vida eterna desde o século XIX.

post-ex_7
Frankenstein é uma história que tem resistido aos séculos e às adaptações, e ano sim, ano não aparece alguém querendo reinventá-lo De algum lugar da eternidade literária, sua criadora, Mary Shelley deve rir com gosto de todos os que se arriscam a tocar no seu clássico. Alguns até acertaram, em especial a versão de 1931, com Boris Karloff, e sua sequência, de 1933, A Noiva de Frankenstein, no qual ele repete o papel, com Elsa Lanchester como a personagem-título.
 
O escritor e cineasta grego Costas Zapas é daqueles que tentam reinventar a história, trazer um frescor contemporâneo em O mistério de Frankenstein, mas mais erra do que acerta. O cenário é uma cidade desolada, onde o fim do mundo parece ter chegado. A fotografia em tons de sépia pálido, assinada por Stelios Bouziotis, contribui para o visual apocalíptico. Uma trupe de teatro chega ao local, e uma jovem repórter (Elli Tsitsipa) acredita que eles sejam as figuras reais do livro – que, segundo a teoria dela, não é uma ficção –, e, sendo alquimistas, encontraram a fórmula da vida eterna, vagando pelo mundo.
 
A premissa, que parte de um livro escrito pelo próprio Zapas, não é ruim, mas a execução é muito errática para ser realmente boa. O visual parece evocar um mundo soviético pós-punk dos anos de 1980, com a paleta de cores esmaecida, calabouços e figuras andróginas, a começar pela protagonista.
 
Não se avança muito além da sacada de transformar os personagens do romance de Shelley em figuras reais e imortais. A certa altura, a repórter visita uma espécie de boate, num porão, onde Victor Frankenstein (Andonis Goritsas) canta uma música, cuja letra se resume a “It’s alive” (“Está vivo”), uma referência direta ao clássico de 1931, que imortalizou a frase – é uma homenagem simpática, na qual o diretor parece reconhecer a imortal grandiosidade do outro filme diante do seu.
post