18/07/2026
Comédia Ação

Cruella

Criada pela mãe no interior da Inglaterra, a pequena Estella vai parar sozinha nas ruas da Londres de 1960, com seu cãozinho. É acolhida por dois garotos, Gaspar e Horace, que vivem de pequenos furtos e têm um outro cachorro. Dez anos depois, Estella vai conhecer a Baronesa, a rainha do mundo da moda - e descobrir mais sobre seu próprio lado Cruella.

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Cruella, de Craig Gillespie, é uma prequel da vida da arquivilã Cruella de Vil, que não há quem não conheça nas versões live action 101 Dálmatas (1996) e 102 Dálmatas (2000) interpretada por Glenn Close - que aqui funciona como uma das produtoras executivas.
 
Fato é que o diretor australiano, conhecido por Eu, Tonya (2017), tem boa mão para traçar o perfil de mulheres nada boazinhas. Em Cruella, são pelo menos duas - a própria, interpretada por Emma Stone, e a Baronesa, uma impagável criação da veterana Emma Thompson. As duas medem forças, no roteiro escrito por Dana Fox e Tony McNamara, e espalham faíscas para todo lado, na Londres dos anos 1960 e 1970, num universo impregnado de cultura punk pop e no mundo fashion.
 
Criança, a menina Estella (Tipper Seifert-Cleveland) vive com a mãe (Emily Beecham) no interior da Inglaterra. Seu cabelo metade preto, metade branco, chama a atenção para sua divisão interior  - há uma Cruella ali dentro, pronta a responder atravessado e bater nos meninos que a perturbam na escola. Mas é ela, finalmente, quem tem que deixar a escola, quando a mãe decide mudar-se para Londres.
 
Numa parada no caminho, num grande castelo, o destino de Estella vai sofrer uma virada brusca. A menina acaba em Londres sem a mãe, somente acompanhada de seu cachorrinho. É quando encontra uma família alternativa com uma dupla de garotos órfãos, Gaspar e Horace, e entra para o bando. 
 
Dez anos depois, Gaspar (Joel Fry), Horace (Paul Walter Hauser) e Estella (Emma Stone) são sócios nos golpes que os mantêm. Mas o velho sonho dela de tornar-se estilista a leva a um trabalho de faxineira no magazine Liberty, onde, finalmente, a Baronesa colocará os olhos nela de uma forma inusitada.
 
Não demora, Estella vai se tornar uma das principais designers da marca da Baronesa, uma mulher impiedosa e tirana que só uma atriz do quilate de Emma Thompson poderia transformar em alguém minimamente engraçada. Dentro de um figurino sempre muito exagerado, a Baronesa, na verdade, é a grande vilã desta história.
 
Por tudo o que sofreu e ainda sofre, Estella é uma personagem bem mais simpática, deixando a revolta vir à tona muito pouco até que descobre um segredo de seu passado. Por conta disso, seu lado Cruella vai emergir cada vez mais, dando oportunidade a sequências aceleradas nesta disputa entre duas mulheres pela primazia do mundo da moda londrino dos anos 1970. Uma briga em que, como nos duelos de faroeste, só uma pode ficar em pé no final. 
 
Vencedora do Oscar de melhor atriz em 2016 por La La Land, Emma Stone crava os dentes nesta personagem pop muito cheia de nuances que é possível compreender a cada passo. Mais de uma vez, o público é engajado para sentir simpatia por esta plebeia que disputa furiosamente um lugar na alta roda e, eventualmente, deixando de lado suas sensibilidades e escrúpulos. É fato que Cruella atualiza o registro das vilãs pop, ultimamente frequentado por figuras marcantes como Malévola e Arlequina, levando alguma vantagem ao ter à sua disposição duas personagens bem-desenvolvidas e abraçadas por duas atrizes no melhor de sua forma, que podem fazer um pouco de graça com a própria malvadeza.
 
Em comparação com a ultra-individualista Baronesa, no entanto, Estella/Cruella tem um lado mais comunitário, formando essa família informal com os fieis aliados Gaspar, Horace, o amigo Artie (John McCrea) e dois adoráveis cãezinhos. Evidentemente, dálmatas fazem sua participação, como cães da Baronesa, mas não passam de três, num destino bem diferente do original Os 101 Dálmatas, o livro de Dodie Smith que gerou as animações e filmes live action nas últimas décadas. E esta jovem Cruella, vejam só, não fuma. 
 
O filme venceu o Oscar de melhor figurino (Jenny Beavan). 
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