04/06/2026
Drama Comédia

A vida extraordinária de David Copperfield

Desde pequeno, David Copperfield teve uma vida difícil e enfrentou a exploração e opressão. Mas também encontrou pessoas boas que o ajudaram na sua trajetória. Inspirado no clássico de Charles Dickens, que tem tons autobiográficos.

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A vida extraordinária de David Copperfield dá uma roupagem bastante contemporânea ao clássico de Charles Dickens, mas sem perder sua essência. Armando Iannucci (A morte de Stalin), que dirige e assina o roteiro com Simon Blackwell, mantém os elementos básicos da trama e traz um colorido peculiar e empolgante aos personagens e à narrativa. A começar pelo que se convencionou chamar de color-blind casting, que consiste em escalar atores e atrizes para os mais diversos papéis, independente de suas etnias, gêneros etc.
 
Aqui, há um ator inglês, de origem indiana, Dev Patel, representando David Copperfield, o que confere energia e vigor ao personagem. É uma escolha arriscada, mas que funciona ao trazer o caldeirão cultural da Inglaterra do século XXI, para o período vitoriano. Mais do que atualizar o texto, ou situar a história no presente, Iannucci combina a sensibilidade contemporânea com a obra de Dickens. O resultado pode desagradar aos mais puristas, mas é inegável que funciona bastante bem.
 
O tom adotado é levemente cômico, amenizando todo o sofrimento que acomete o protagonista. A proximidade dos eventos trágicos se transforma em elementos de humor, fazendo com que A vida extraordinária de David Copperfield evite cair em qualquer sentimentalismo barato. O tema central do filme, mais do que no romance, são as classes sociais, e isso faz com que a adaptação ressoe bastante no presente. Ainda assim, o diretor é menos cáustico aqui do que em A Morte de Stalin.
 
A vasta galeria de personagens dickensianos transita entre os tipos comuns e os excêntricos, e é lógico que Tilda Swinton faz uma que se encaixa na segunda categoria. Ela interpreta a rica tia Betsey, a quem traumas do passado fizeram desgostar de garotos e homens, mas terá um papel central no futuro de David, provendo-o com a educação que o ajudará a se estabelecer na vida. Ben Whishaw interpreta Uriah Heep, um dos vilões dickensianos mais famosos, marcado por sua falsidade.
 
A agilidade do roteiro traz uma dinâmica ao romance de formação que começa com o nascimento do protagonista, uma figura que pretende mostrar, ao longo da história, se é ou não o protagonista de sua vida. Iannucci faz um grande serviço a Dickens e a esse gênero, conhecido como Bildungsroman, criando uma dinâmica e um colorido, pois, falando do passado, o filme ilumina o presente.
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