O mundo decididamente não precisa de uma sequência de Um Príncipe em Nova York, de 1988. Talvez Eddie Murphy necessitasse de um filme de sucesso – seus únicos hits de verdade neste século são as animações Shrek, nas quais dubla o burro. Isso pode vir a acontecer num primeiro momento com Um Príncipe em Nova York 2, mas, com o tempo, o boca-a-boca alertando sobre a falta de humor no longa pode diminuir suas chances.
Murphy interpreta o príncipe de Zamunda, Akeen, que agora estabelecido no reino, está casado com uma americana, Lisa (Shari Headley), e tem três filhas. Eis aí seu problema. Seu pai, o rei Jaffe Joffer (James Earl Jones), é idoso e crê que não viverá muito. Seu grande problema é seu filho não ter produzido nenhum herdeiro. Apesar disso, a filha mais velha, a adolescente Meeka (KiKi Layne), se preparou desde pequena para assumir o trono, mesmo sabendo que não poderia neste reino com regras machistas.
A solução vem com a descoberta de um filho bastardo que Akeen não sabia ter deixado nos EUA em sua passagem pelo país, três décadas atrás. Ele é Lavelle Junson (Jermaine Fowler), criado por sua mãe, Mary (Leslie Jones), morando em Nova York e vivendo de pequenos trabalhos. Não custa muito e o príncipe está nos EUA, em companhia de seu amigo Semmi (Arsenio Hall) para resgatar seu herdeiro, que leva para Zamunda.
Um Príncipe em Nova York 2 não se esforça muito para superar a sensação de déjà vu – pelo contrário, quer reforçá-la, inserindo o que parece uma infinidade de clipes do primeiro filme, expondo o seu roteiro frágil e destituído de boas piadas. Não é apenas Zamunda que parece parada no tempo – o filme também. É a mesma história de um peixe fora d’água, agora, Lavelle, que vai para o país de seu pai, e não entende os costumes locais – como ser banhado por um trio de empregadas especializadas nisso.
Wesley Snipes, que interpreta um general que governa o reino vizinho e ambiciona invadir Zamunda, tem bons momentos. Mas a única realmente bem aqui é Leslie Jones, que, novamente, se mostra maior do que o filme no qual atua. A atriz e comediante consegue arrancar as parcas risadas de Um Príncipe em Nova York 2. Fora isso, a insistência na ideia de que a África é arcaica e os EUA, modernos, é tão anos 80 que o próprio cinema de Hollywood já superou isso – vide Pantera Negra.
