03/06/2026

Karole e Alessia vivem um romance animado, apesar de dividirem a casa com o ex- da segunda, Andrea, um tremendo folgado. As duas decidem ter um filho juntas, o que motiva esforços extraordinários, já que não podem fazer inseminação artificial na própria Itália, tendo que viajar à Espanha. As incertezas do processo colocam sua relação em risco.

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Karole di Tommaso faz sua estreia como diretora nesta comédia dramática, inédita até agora no Brasil, em que revisita uma história vivida por ela mesma, num roteiro de sua autoria, em parceria com Chiara Ridolfi. No centro da história, está o casal Karole (Linda Caridi) e Alessia (Maria Roveran), duas jovens apaixonadas, que dividem a mesma casa fraternalmente com o ex- de Alessia, Andrea (Andrea Tagliaferri) - um sujeito um tanto folgado e lento para dividir as tarefas domésticas, inclusive pagar o aluguel.
 
Estruturando a história em tom leve, a partir de situações marcadas por humor, um quê de fantasia e linguagem pop, Karole acompanha o dilema do casal para tentar ter um filho a partir de inseminação artificial - algo que não lhes é possível na Itália, obrigando as duas a gastar dinheiro em viagens à Espanha. Para tanto, elas alugam um quarto de seu apartamento a turistas estrangeiros, temperando de comicidade sua relação com outras nacionalidades. Holandeses, franceses e especialmente chineses são retratados sob uma luz um tanto irônica, que não teme atravessar a fronteira do politicamente correto, especialmente no caso de uma chinesa. Mais nuances tem o tratamento de um indiano, Tofail (Sanjay Kansa Banik), uma espécie de faz-tudo do condomínio, que é um retrato vivo do empreendedorismo ativo dos imigrantes.
 
São particularmente bem-boladas uma situação de sonho logo no início e uma visita de Karole à sua aldeia natal, no sul da Itália. Ao mergulhar nas ruas estreitas da cidadezinha, em seu dialeto apenas decifrável pelos locais e uma impagável conversa com um avô, a história estende seu alcance através do aprofundamento da psicologia de Karole. Confrontada com preconceitos externos à sua orientação sexual e a tensão da expectativa da gravidez de sua companheira, a protagonista humaniza toda a situação e desperta empatia em relação ao relacionamento das duas jovens, que têm um perfil bem descolado e contemporâneo.
 
Em seu primeiro longa, Karole demonstra uma sutileza esperta, que pode render maiores frutos, quem sabe, em trabalhos futuros. É sempre uma boa notícia a renovação de talentos em um cinema como o italiano, de tantas glórias na comédia, ainda mais em se tratando de uma jovem diretora.
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