Belas paisagens da região da Picardia, ao norte da França, são o que justifica a comédia A Poucos Passos de Paris, escrita e dirigida por Virginie Verrier. O filme, cuja fotografia é assinada por Xavier Dolléans e Jérôme Saldes, valoriza a natureza, as cenas externas e a luz natural, criando belas imagens.
O ponto de partida não é ruim, e renderia boas situações, mas parece faltar a Verrier um pouco mais de ambição no delineamento psicológico das personagens e situações. Há 15 anos, a comissária de bordo Sidonie (Erika Sainte) engravidou e fugiu de casa. Agora, sua filha, Lolo (Matilda Marty-Giraut), quer saber quem é seu pai. Para isso, as duas viajam de carro procurando os possíveis candidatos. São cinco, e de cada um devem arrancar alguns fios de cabelo para o exame de DNA.
Cada reencontro, no filme, serve como a desculpa de uma revisita ao passado de Sidonie, com amores mal-resolvidos, intrigas e paixões. A vida de todos, nesses 15 anos, obviamente, mudou, e boa parte dos candidatos está casada. Por outro lado, é impressionante que nenhum dos cinco homens tenha mudado de cidade, estão todos ali, facilmente encontráveis.
Verrier perde algumas oportunidades de desenvolver melhor suas personagens, em especial, a relação entre mãe e filha. Sidonie e Lolo são quase opostas. A primeira é extrovertida e animada, enquanto a garota está sempre emburrada e é um tanto monótona. A trama básica lembra Flores Partidas, de Jim Jarmusch, no qual Bill Murray interpreta um pai em busca da mãe e de seu filho desconhecido, após receber uma carta anônima. Aqui não se tem a mesma sagacidade, nem o mesmo cinema vigoroso. Mas é um filme que poderia ser simpático, se fosse um pouco mais elaborado.
