03/06/2026
Suspense Drama

Os Relatórios sobre Sarah e Saleem

Sarah é uma mulher israelense que tem um caso extraconjugal com Saleem, um palestino. Um incidente complica a vida deles e os obriga a tomar atitudes radicais.

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Casos extraconjugais são um tema recorrente no cinema de qualquer canto do mundo. Porém, Os relatórios sobre Sarah e Saleem traz um diferencial ao colocar como protagonista um casal formado por um palestino e uma israelense, Saleem (Adeeb Safadi), um motorista, e Sarah (Sivane Kretchner), proprietária de um café em Jerusalém. São duas pessoas em lados opostos em tudo: na geografia, na religião, na política, que mantêm uma relação ilícita.
 
O segundo longa do palestino Muayad Alayan, a partir de um roteiro de seu irmão, Rami Musa Alayan, acompanha o drama entre essas duas personagens e a família que as cerca. Sarah deverá mudar de cidade, agora que seu marido militar, David (Ishai Golan), foi promovido. Saleem vive na Jerusalém Oriental, mas faz entregas na Ocidental, onde está localizado o café da sua amante. A van dele serve como um lugar discreto para os encontros sexuais do casal. A vida com a esposa, Bisan (Maisa Abd Elhadi), que está grávida, passa por uma crise: sem conseguir ganhar o suficiente para seu sustento, eles moram com os sogros, levando Saleem a sentir-se frustrado.
 
O cunhado arruma para ele fazer entregas clandestinas em Belém (uma cidade sob administração palestina desde 1995). Saleem convida Sarah a ir com ele, sugerindo que ela se finja de europeia, mas nem tudo sai como o previsto, e uma confusão num bar coloca o casal em apuros. O rapaz acaba preso, acusado de trazer prostitutas israelenses para a Palestina, e a única maneira de livrar-se da acusação é assinando um documento alegando que Sarah é uma espiã que ele está recrutando. Um caso ilícito se torna uma questão política internacional, quando o tal documento vaza, obrigando a Sarah a tomar decisões e escolher um lado da disputa.
 
O filme é claramente dividido em duas partes. Aprimeira é muito mais bem orquestrada, pintando um painel amplo da sociedade de Jerusalém a partir do caso entre os protagonistas, numa cidade dividida politica, geográfica e religiosamente. Mesmo estando em universos distintos, as vidas de Sarah e Saleem se tocam e transformam um ao outro. O preconceito é forte, como bem mostra o filme quando a personagem conta a uma amiga que está tendo um caso. O que incomoda a outra é o fato de o amante ser árabe.
 
A segunda metade de Os relatórios sobre Sarah e Saleem não é tão bem-resolvida quando a primeira, e parece se alongar ainda mais do que o necessário. Ainda assim, o filme faz um excelente retrato de uma cidade partida e das consequências disso para seus cidadãos e cidadãs. A ida de Sarah a Belém, por exemplo, mostra que o local é tão perto, mas, ainda assim, tão longe, em termos políticos e culturais.
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