O título de Amor, Casamento e Outros Desastres deixa bem claro o tema do longa, sendo que a última parte é possívelmente uma referência a si mesmo. Escrita e dirigida por Dennis Dugan (O Paizão, Gente Grande), essa comédia romântica tem a capacidade de desperdiçar Diane Keaton e Jeremy Irons, e circundá-los com um bando de coadjuvantes sem graça, sendo que todos personagens têm uma história carregada de clichês e destituída de charme.
Irons interpreta Lawrence Philips, organizador de casamento ranzinza, metódico, estrela e caro. Amigos seus arrumam um encontro às cegas com Sara (Keaton), que é cega – esse fato rende o único trocadilho original do filme, que se revela intraduzível, ou seja, nem nisso a versão nacional salva. Bem-humorada, ela tenta trazer algo de positivo para a vida dele em forma de amor.
Paralelamente, Jessie (Maggie Grace) organiza um casamento – em parceria com Philips, a contragosto dele – de um jovem candidato a prefeito. A cerimônia é a única coisa que poderá salvar a carreira da jovem, já que ela viralizou na internet destruindo um casamento de uma desconhecida acidentalmente.
Numa outra trama, que eventualmente se cruzará com as demais, há o Capitão Ritchie (Andrew Bachelor), um guia turístico com um barco com rodas que anda pela cidade e na água. Um dia, ele se apaixona por uma jovem que tem o sapato de cristal da Cinderela tatuado no pescoço. Sem saber seu nome, lança uma campanha na televisão em busca da moça.
As histórias dessas e de outras personagens são todas destituídas de charme, sagacidade ou originalidade – todos os romances, mais ou menos, se baseiam na ideia de opostos se atraindo. Comédia romântica é um dos gêneros mais maltratados da atualidade, parece que diretores e roteiristas se conformam com qualquer bobagem que resulte num casal que fica junto no final. Amor, Casamento e Outros Desastres é uma das provas disso – e talvez fosse mais perspicaz não colocar a palavra “desastres” no título do filme, é uma piada pronta. A única que funciona aqui.
