No quinto episódio da série de Tata Amaral, um giro pela década de 1970 mostra que ela não foi apenas o reinado da predominante pornochanchada. No período, muitas mulheres embarcaram em propostas ousadas na videoarte e se arriscaram em obras bastante autorais.
Numa época em que o vídeo era uma novidade técnica, muitas artistas plásticas se valeram do novo meio para experimentações de linguagem. Foi o caso de Analivia Cordeiro, Sonia Andrade - entrevistada no filme -, Ana Bella Geiger, Regina Vater e Lygia Pape e tantas outras pioneiras, que não raro usaram sua própria imagem, seus próprios corpos como instrumento.
Enquanto isso, outras mulheres deixavam sua marca autoral de outra forma, caso da atriz Helena Ignez que, juntamente com o marido, Rogério Sganzerla, e o colega Julio Bressane, foi roteirista e produtora de vários filmes da Belair - sem, na época, se preocupar em pedir créditos de suas múltiplas funções. É importante lembrar que Helena participou da criação e interpretação de alguns dos títulos mais marcantes da época, caso de A mulher de todos, O bandido da luz vermelha e Uma família do barulho.
Outra diretora autoral do período foi Letícia Parente, que assinou Marca Registrada (1975), uma resposta a essa super-exposição e fragmentação do corpo feminino que a pornochanchada promovia massivamente.
Porém, mesmo a pornochanchada foi um gênero visitado por mulheres, como foi o caso de Rosângela Maldonado. Produtora da Panorama Filmes, ela codirigiu, com José Mojica Marins, A mulher que põe a pomba no ar e A deusa de mármore, este último, um título com um toque de terror.
