Não é raro que um filme de terror tenha uma sequência – ou várias. O que é incomum no projeto Rua do Medo é que a série de longas foi inteiramente planejada antes de sua execução. Assim, a trilogia finalizada é como uma história única. Rua do Medo: 1978 – Parte 2 não sofre do mal de ser a parte do meio de um trio, pelo contrário, apesar de completar o conjunto, em certa medida se sustenta como um filme só, se ignoradas as pontas que ligam ao anterior e ao próximo.
Novamente conduzido por Leigh Janiak, o longa começa exatamente onde Rua do Medo: 1994 – Parte 1 parou, quando os sobreviventes da tragédia ali retratada procuram outra sobrevivente, esta da tragédia de 1978, que pode estar conectada ao presente. C Berman (Gillian Jacobs) é a pessoa em questão, uma mulher atormentada, que jamais superou o trauma de quase duas décadas atrás, quando era uma adolescente num acampamento de verão, chamado Nightwing, que reunia jovens das cidades Sunnyvale e Shadyside, esta onde se passam os filmes e, supostamente, amaldiçoada.
Graças à rivalidade entre os dois lugares, há uma competição no acampamento chamada de Guerra das Cores. É nesse dia fatídico que a tragédia acontece, quando uma bruxa do século XVII se apossa de alguns jovens – o nome dela é Sarah Fier, cujo sobrenome, não por acaso, rima com a palavra “fear”. Diz a lenda que a mulher fez um pacto com o diabo pela imortalidade.
O que se sucede, no filme baseado numa série de livros de R. L. Stine, é a rotina de slashers, com jovens jorrando sangue das maneiras mais variadas. Com umas piscadelas às séries A hora do pesadelo e Sexta-feira 13, além da literatura de Stephen King, a diretora Janiak faz a festa do gênero, não poupando personagens e usando da criatividade quando se trata de decapitar alguém, entre outras coisas.
Estão no acampamento as irmãs Berman, Ziggy (Sadie Sink) e Cindy (Emily Rudd), uma rebelde e outra conformista, respectivamente. Ao lado de amigos e rivais, irão enfrentar a força do mal materializada que ceifa vidas – sem nos dizer qual será poupada até o fim da noite. Ambas de Shadyside, elas estão tão acostumadas com a maldição da bruxa quanto com os problemas econômicos que o local e seus moradores enfrentam. Sunnyvale é o oposto, como indica o nome, ensolarada, feliz e bem-sucedida. Cindy sonha em morar em Sunnyvale e tenta, a todo custo, se enturmar com o pessoal de lá. Ziggy, por outro lado, é revoltada com a situação.
Rua do Medo: 1978 – Parte 2 arma bem o caminho para sua sequência Rua do Medo: 1666 – Parte 3, quando, finalmente, será contada a história de Sarah Fier, ligando claramente as pontas e os dois filmes – como fica bem explícito na prévia ao final do segundo filme. Com ele, Janiak terá a chance de elevar a trilogia toda, colocando os primeiros longas em nova perspectiva.
