Escritor e cineasta, Donato Carrisi (A Garota da Névoa) adapta de seu próprio romance o roteiro desse suspense de terror O Labirinto, protagonizado pelo italiano Toni Sevillo e o americano Dustin Hoffman. O filme é um suspense quase eficiente, mas um tanto derivativo, não fosse sua insistência em querer bancar o espertinho o tempo todo.
Carrisi, como cineasta, busca na fonte de suspenses como O Silêncio dos Inocentes e até Jogos Mortais para criar o seu filme. O ponto de partida é o reaparecimento de uma jovem, Samantha (Valentina Bellè), que ficou sumida por quinze anos, desde que foi sequestrada ainda criança. O retorno da garota, que se recupera no hospital, desencadeia duas investigações. O dr Green (Hoffman) faz entrevistas com ela, tentando traçar o perfil do sequestrador, e um detetive particular (Servillo).
A história que Samantha conta é macabra: esteve presa nos porões de um lugar, um verdadeiro labirinto, onde era obrigada a cumprir tarefas para, por exemplo, receber alimentos. As sessões são um tanto peculiares – e não apenas porque os diálogos são em inglês (o restante do filme é em italiano), mas conta de toda a dinâmica entre paciente e médico. Além disso, o comportamento dela não parece o de uma pessoa que ficou tanto tempo encarcerada.
A outra linha narrativa segue Genko, o detetive particular que, com pouco tempo de vida, retoma o caso de Samantha. Anos atrás, fora contratado para encontrar a menina assim que desapareceu, mas, sem sucesso. Agora, tenta descobrir quem foi o sequestrador, pois sente-se em dívida com a família e a própria jovem.
Não é preciso ter lido o livro de Carrisi para saber onde O Labirinto irá chegar, boa parte aqui é bem óbvia. O diretor, um tanto incerto, transita entre tons, do suspense ao terror, passando pelo drama, fantasia e filme noir, sem nunca se aprofundar em nenhum estilo. Ao mesmo tempo, não seria experimental para ser chamado assim. Parece mais mesmo um caso de incerteza.
Mais de duas horas é tempo demais para um filme que precisa manter seu suspense, e parece ser o caso de um diretor/autor apegado demais à sua obra, incapaz de abrir mão de certas cenas a favor de uma narrativa mais fluida. É como se, ao final das contas, ele tivesse dois filmes duelando pela hegemonia, sendo que nunca são bons o suficiente, embora aquele protagonizado pelo detetive seja um pouco mais bem resolvido. Servillo e Hoffman praticamente nunca dividem a cena, exceto por um breve momento que deveria ser uma surpresa, mas é, novamente, óbvio demais.
