03/06/2026
Drama

O Empregado e o Patrão

Rodrigo assume a direção de uma fazenda de seu pai, e logo contrata o filho de um antigo funcionário para operar o trator, mesmo sem ter treinamento ou licença. Uma tragédia acontece e marca a vida dos dois homens.

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O título do drama uruguaio O Empregado e o Patrão já deixa claro em qual a dialética o diretor e roteirista Manolo Nieto Zas está interessado: naquela envolvendo quem vende e quem compra a força de trabalho. A dinâmica que se estabelece entre esses dois elementos é de que um não existe sem o outro: não há patrão sem trabalhador, e vice-versa. Porém, a pressão que cada um exerce, como bem se sabe, é diferente: a do explorador e a do explorado.
 
É nos personagens Rodrigo (Nahuel Pérez Biscayart) e Carlos (Cristian Borges) que Nieto Zas estabelece essa relação, marcando muito claramente desde o início em qual ponto cada um está. A posição dos dois se mantém desde a geração de seus pais, quando já eram patrão e empregado. A herança social e profissional de cada um parece dizer que a exploração se perpetua num processo sem volta, dificilmente possível de ser quebrado.
 
O filme estabelece semelhanças entre eles e, a partir destas, as diferenças. Ambos são pais recentes, mas cada um tem possibilidades específicas para lidar com isso. Carlos está mais interessado no seu cavalo, por exemplo, do que na filha. Rodrigo, como bom agroboy que é, prefere se refugiar em baladas para evitar os problemas de saúde de seu filho.
 
Carlos mal saiu da adolescência e não tem licença para operar o trator, mas, ainda assim, acabou contratado. Quando uma tragédia acontece, o sindicato pretende processar Rodrigo. Há sentimentos de culpa e de opressão envolvidos, e Nieto Zas constrói um filme de poucos diálogos, no qual o silencio diz muito, o que pode fazer O Empregado e o Patrão soar um tanto frio em alguns momentos.
 
A fotografia em cores vibrantes do Arauco Hernández Holz impressiona, especialmente na maneira como capta a natureza. Nieto Zas também é excepcional em sua capacidade de caracterizar os personagens e trazer nuances a eles. Poderiam cair facilmente nas caricaturas de vilão e oprimido mas, com a ajuda de uma dupla de atores competentes, o cineasta os transforma em humanos, delineando bem suas contradições, ansiedades e aflições.
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