As aventuras do presidente norte-americano Theodore Roosevelt na Floresta Amazônica, no começo dos anos de 1910, são o tema da série O Hóspede Americano, série em quatro capítulos da HBO, dirigida por Bruno Barreto. Com roteiro de Matthew Chapman (Flores Raras), e uma produção visivelmente caprichada, o programa investe no tom de aventura, escalando Chico Díaz, como o marechal Cândido Rondon, e Aidan Quinn, como o presidente.
Roosevelt e Rondon unem esforços para explorar a Amazônia e encontram uma tribo indígena. A narrativa transita entre o passado de Roosevelt e seu presente, quando vem para a expedição no Brasil e encontra seu filho, Kermit (Chris Mason), que já estava no país. Nos EUA, a série retrata a relação de cumplicidade e amor entre o presidente e sua mulher, Edith (Dana Delany), e as atribulações políticas – ele havia perdido as eleições poucos anos antes.
No Brasil, a série segue a ideia do exotismo que assusta e conquista o estrangeiro do país rico. Roosevelt participa da comitiva de Rondon para mapear o então chamado Rio das Dúvidas, pois seu curso era desconhecido. Mais tarde, ganhou o nome do norte-americano. Boa parte da série centra-se na viagem na Amazônia, com seus percalços e descobertas sobre a natureza e sobre os homens.
É, claramente, um programa de televisão bem-feito, com cuidado técnico e histórico, além de uma reconstituição de época robusta. Nada disso, no entanto, supera as limitações narrativas que se calcam em velhos clichês sobre americanos na América do Sul. O tom é didático para explicar sobre a política americana e o Brasil, enquanto a direção de Bruno Barreto é pouco inspirada, sem ousar em nada. Haja vista o quanto o formato televisivo evoluiu nos últimos anos, é impressionante como O hóspede americano não se esforça em trazer um mínimo de originalidade.
O tom é bastante solene e pouco se interessa nas figuras humanas por trás dos homens históricos Roosevelt e Rondon – a série se concentra nos seus feitos, não em quem realmente eles foram. Quinn e Díaz, no entanto, estão excelentes em seus personagens, dando a eles uma dimensão humana que nem sempre a série sabe aproveitar. E, como é de se esperar, como a originalidade não é o forte aqui, O hóspede americano termina com letreiros explicando o destino dos personagens.
