Evan Hansen é um adolescente solitário, que vive com a mãe, Heidi. Ela trabalha demais e ele tem problemas emocionais sérios, o que o leva a tomar remédios. Na escola, ele não tem amigos. Um dia, ocorre um incidente com um colega perturbado, Connor. Quando este se suicida, uma série de equívocos leva a que a família dele imagine que Evan fosse seu amigo, enredando-o numa série de mentiras de que ele não quer escapar.
- Por Neusa Barbosa
- 08/11/2021
- Tempo de leitura 3 minutos
Adaptação de um musical premiado da Broadway, Querido Evan Hansen nasce fadado a procurar emocionar, até por ter no seu centro um adolescente solitário e atormentado pela ansiedade, interpretado pelo mesmo ator que viveu o personagem nos palcos, Ben Platt.
Na tela, a estrutura musical deve necessariamente ser expandida, embora se recorra a números musicais de tempos em tempos, o que não confere maior fluidez ao dramalhão do diretor Stephen Chbosky.
A história, escrita pelo premiado Steven Levenson, aperta alguns botões importantes - desajuste emocional entre adolescentes, suicídio, dificuldades de relacionamento na escola e na família, bullying virtual e por aí. Mas, na tela, o modo unilateral pelo qual se move seu protagonista é insuficiente para torná-lo suficientemente verdadeiro, por mais que sua dor seja muito real, pungente e transmitida com muito empenho por seu ator.
É promissor o ponto de partida da trama, que se desenvolve numa sucessão de equívocos. O primeiro deles, o contato - desastroso, afinal - entre Evan e um colega muito problemático da escola, Connor Murphy (Colton Ryan), que leva à falsa suposição de que os dois foram amigos quando o último se suicida e um bilhete com o nome de Evan é encontrado em seu bolso. O incidente leva a uma aproximação entre Evan e a família de Connor, que inclui seus pais Cynthia (Amy Adams) e Larry (Danny Pino) e sua irmã, Zoe (Kaitlyn Dever), por quem Evan tinha uma frustrada atração.
Os problemas emocionais de Evan levam a que ele decida inventar uma série de mentiras para construir um falso passado de amizade com Connor que, finalmente, o enreda num mundo ideal e fabricado do qual ele não consegue sair. É questão de tempo, claro, que tudo isso vá desmoronar e o enredo poderia ter tomado inúmeras direções a partir desse pressuposto. As que toma, geralmente, são as mais óbvias, carregando no drama que pretende levar o público às lágrimas e deixa escapar a congruência em suas inúmeras brechas.
Entre os rumos não tomados que fazem falta estão, por exemplo, um espaço maior para a mãe de Evan, Heidi (Julianne Moore) - que, afinal, é quase vilanizada por ser tão trabalhadora, esfalfando-se no seu emprego como enfermeira para sustentar sozinha o filho e juntar dinheiro para sua universidade depois que o marido a abandonou, quando o menino ainda era pequeno. O pai de Evan, bem como o terapeuta, também nunca aparecem e bem poderiam dar mais consistência ao perfil psicológico dele, exacerbado pela solidão e pouco ajudado pelo uso de remédios.
É fato que o filme sinaliza para temas essenciais e que não devem mesmo ficar de fora das telas. Era de se desejar, porém, que este tratamento levasse a personagens com mais nuances, fornecendo um sentido maior à história.
Letras e músicas ouvidas no filme são assinadas pela dupla Benji Pasek e Justin Paul (este, de La La Land) - mas, sem a dinâmica do musical de palco, nenhuma delas se mostra também muito empolgante, apesar da bela voz de Ben Platt.
