O drama romântico de desastre russo Chernobyl: O Filme já começa desolador com uma dublagem sofrível em inglês para seguir o título nacional e não usar o nome da cidade na nossa língua, Chernobil. É um filme que, certamente, tenta pegar carona na famosa séria homônima recente, colocando o desastre emoldurado por uma história de amor entre um bombeiro e uma jovem.
O bombeiro é Alexey, interpretado pelo diretor do filme Danila Kozlovskiy, que logo se tornará herói de filme de ação, quando acontece o desastre na usina nuclear em 1986. Com a ajuda de outros colegas, ele se voluntaria para ajudar a conter o acidente e tentar salvar vidas.
O roteiro, assinado por Elena Ivanova e Aleksey Kazakov, é pobre em desenvolvimento e rico em clichês. A personagem da namorada, Olga (Oksana Akinshina), mal existe para além de ser namorada de um futuro herói. Embrenhada numa relação que qualquer pessoa chamaria de tóxica, a ela cabe sofrer. O bombeiro, por sua vez, é baseado numa figura real, Nikolai Chebushev, que chamou a produção de fantasiosa e se recusou a participar como consultor do longa.
Com 2h15, Chernobyl: O Filme é longo demais para substância de menos. Tecnicamente bem cuidado, sua narrativa é frágil e pouco verossímil, o que resulta num filme de desastre genérico, que certamente deve frustrar quem foi assistir esperando a densidade da série. Além desta, 23 outros filmes foram feitos sobre o acidente nuclear e têm mais sinceridade e qualidades, como o russo Sábado Inocente, de Alexander Mindadze, inédito no circuito brasileiro e exibido na Mostra de São Paulo de 2011.
