19/07/2026
Comédia

Que mal eu fiz a Deus? 2

As quatro filhas de Claude e Marie se casam com homens de etnias e religiões mais diversas, para desespero do casal conservador. Agora, elas e os maridos ameaçam mudar-se para outros países.

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Um dos maiores sucessos do cinema francês em 2014, Que mal eu fiz a Deus? trazia como protagonistas um casal de meia-idade burguês e preconceituoso, que enfrentava um grande problema quando suas quatro filhas resolviam se casar com homens das etnias mais diversas e, com isso, aprendiam uma bela mensagem sobre tolerância.
 
Novamente dirigido por Philippe de Chauveron, a sequência, Que mal eu fiz a Deus? 2, não tem muito para onde ir além do que havia ido no original. Agora, o casal de protagonistas descobre que, por motivos variados, suas filhas e respectivos maridos precisam muda-se para outros países. Claude (o veterano ator de comédias Christian Clavier) e sua mulher, Marie (Chantal Lauby) precisam convencer as filhas e aos genros das maravilhas de viver na França para que não vão embora.
 
Odile (Julia Piaton), Isabelle (Frederique Bel), Segolene (Emile Caen) e Laure (Elodie Fontan) são casadas, respectivamente, com um judeu David (Ary Abittan), um argelino Rachid (Medi Sadoun), um chinês Chao (Frederic Chau), e um costa-marfinense, Charles (Noom Diawara).
 
Escrito por Chauveron e Guy Laurent, Que mal eu fiz a Deus? 2 é um filme que se vende por um preço justo. Seu conceito não tem nada de original, nem sofisticado, evita maiores atritos com a conhecida xenofobia francesa, embora faça (com a melhor das intenções) uma piada xenofóbica ou homofóbica aqui e ali. Na cabeça do diretor, tudo parece previamente justificado por uma causa maior: fazer rir com mensagem edificante.
 
Numa trama paralela, a irmã de Charles, Viviane (Tatiana Rojo), é lésbica, mas não se assumiu para a família, embora esteja de casamento marcado com uma mulher na França. Ao lado dos pais (Pascal N'Zonzi e Salimata Kamate), viaja para Paris, onde a cerimônia vai acontecer, e pretende só no último momento contar a verdade para eles. Nesse segmento, é como se o filme dissesse – não destituído de alguma razão – que, no fundo, somos todos preconceituosos. É bem possível que Chauveron tenha a melhor das intenções com seus filmes – esse também foi um enorme sucesso, e um terceiro da série já está em produção – mas ele não encontra a melhor maneira de abordar questões tão complexas, que talvez pedissem um olhar mais ácido.
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