03/06/2026
Drama

Casulo

Nora é uma garota de 14 anos, que mora com a irmã, Jule, dois anos mais velha, e a mãe - que passa boa parte do tempo longe das filhas. Elas, portanto, têm que fazer suas descobertas da vida por sua conta. Nora, em especial, ressente-se de sua fragilidade.

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A diretora alemã Leonie Krippendorff realiza, neste seu segundo longa, um sincero relato sobre a adolescência feminina. Ela ganha um trunfo poderoso em sua jovem protagonista, Nora (Lena Urzendowsky), cuja espontaneidade e sinceridade dão corpo às incertezas e descobertas de uma fase da vida tão incerta quanto importante.
 
Nora é a irmã caçula de Jule (Lena Klenke), cuja melhor amiga é Aylin (Elina Vildanova). Sem poder contar com a mãe, sempre ausente de casa e vivendo nos bares à noite, as garotas aprendem sobre a vida em tutoriais de internet. Jule e Aylin são obcecadas por dietas e dicas sobre boa forma. Nora tem que contar com vídeos até para descobrir como se coloca um absorvente.
 
Apesar da pouca diferença de idade, há um abismo entre Nora, 14 anos, e Jule e Aylin, 16, o que torna a jornada da primeira mais sofrida num mundo em que a crueldade adolescente encontra um instrumento poderoso nos vídeos que garotos e garotos produzem uns sobre os outros, expondo suas fraquezas e situações constrangedoras.No meio disso tudo, Nora encontra um inesperado apoio em Romy (Jella Haase), uma colega mais velha com quem compartilha ternura, tesão e descobertas de todos os tipos.  
 
A partir da coleção de lagartas em vidros numa estante do quarto de Nora, o filme fornece uma metáfora a que recorre várias vezes, a das transformações da borboleta. Evidentemente, na vida real Nora não consegue manter para si mesma o ambiente protegido e antisséptico que proporciona às suas lagartas. Ela vive a fundo a fase de descobrir, tentar, se machucar e superar.
 
O roteiro, assinado pela diretora cria situações bastante naturais entre os personagens, contando com a fotografia de Martin Neumeyer e a montagem de Emma Gräf como molduras bem-ajustadas à simplicidade da história, que, no entanto, nunca é banal ao expor os sentimentos, a fragilidade e também os recursos de Nora para encarar uma vida que está apenas começando. Esta honestidade é o melhor de tudo.

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