04/06/2026
Drama

A Mulher que Fugiu

Enquanto o marido de Gam-hee está fora da cidade, em viagem de negócios, ela se reencontra com suas amigas Elas conversam sobre suas vidas, alegrias, ansiedades e como chegaram até ali. No Sesc Digital (de 12/9 a 12/11/2024).

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Hong Sang-Soo se torna mais conciso a cada novo filme. Com menos de 90 minutos, ele é capaz de concentrar suas narrativas e gerar, a partir delas, um efeito duradouro. São filmes aparentemente simples que escondem, no seu minimalismo, a complexidade formal que encerram. A mulher que fugiu tem 77 minutos e traz três momentos protagonizados pela mesma pessoa, Gam-hee, interpretada pela musa e companheira do cineasta Kim Min-hee.
 
O longa que rendeu Hong o prêmio de direção no Festival de Berlim de 2020 consiste, como tudo em sua obra, de conversas longas e quase banais que trazem em si questionamentos e investigações mais profundas do que aparentam. Seus longas sempre tiveram algo de rohmeriano nesse sentido e aqui, como sempre, o roteiro também é assinado pelo cineasta.
 
Gam-hee é uma florista, casada há 5 anos, que aproveita uma viagem do marido para se encontrar com amigas. Essa é a primeira vez que ela fica longe dele desde que se casaram. É um momento estranho e também de descobertas. A primeira visita é a Young-soon (Young-hwa Seo), a quem a protagonista não vê há um bom tempo, pois a amiga não mora em Seoul, vive no campo, onde cria galinhas. A conversa é interrompida por um vizinho, que avisa para não alimentaram o gato de rua que vive por ali, pois sua mulher tem fobia de gatos.
 
O encontro seguinte é com Su-young (Song Seon-mi), instrutora de pilates que está apaixonada por um vizinho, mas vem sendo cortejada por um poeta, com quem passou uma noite. Por fim, a protagonista se reúne com Woo-jin (Kim Sae-byuk), gerente de um cinema e centro cultural.
 
Mas quem é a “mulher que fugiu”?  A amiga que abandonou tudo para viver longe da cidade? A outra que tenta evitar o poeta que a persegue? Ou a própria Gam-hee, que está descobrindo uma nova existência sem a presença do marido? No fundo, o longa está falando sobre a posição, possibilidades, expectativas e oportunidades da mulher contemporânea na Coréia do Sul, todas elas (e aquelas que também nem estão no filme) são mulheres em fuga de um sistema sexista, em busca de mais liberdade.
 
Em sua carreira de 25 anos, Hong estabeleceu sua própria gramática cinematográfica que, para alguns estetas, pode parecer displicente, mas é na sua simplicidade que está a verdade. Não há longos planos elaborados ou uma fotografia requintada. O que se vê na tela é a vida sendo vivida, com a beleza, a melancolia, a euforia, a frustração do cotidiano.
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