04/06/2026
Infantil Aventura

Turma da Mônica: Lições

Depois de uma série de incidentes, a mãe de Mônica e a de Cebolinha acreditam que a amizade deles só está fazendo mal às crianças. Por isso. a menina deve ir para outra escola. Mas o quarteto fará de tudo para continuar sua amizade, apesar das adversidades.

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Se havia um problema no primeiro filme da Turma da Mônica (Laços, de 2018), era que a própria Mônica não tinha protagonismo – este era de Cebolinha e seus planos infalíveis para pegar o coelho Sansão. Em Lições, novamente dirigido por Daniel Rezende, o roteiro encontra um equilíbrio fino entre aventura e emoção. A turminha está ficando mais velha e seus sonhos e dilemas acompanham o (e também são causa do) amadurecimento.
 
O filme começa com Mônica (Giulia Benite ) e Cebolinha (Kevin Vechiatto), ensaiando, no quintal de casa, uma versão, obviamente leve, de Romeu e Julieta, com Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira), nos papeis de Ama e Frade. Nada vai muito bem e eles precisam de muito ensaio – e as obrigações escolares só servem para atrapalhar. Uma série de incidentes faz com que os pais e as mães do quarteto não vejam as amizades com bons olhos neste momento.
 
A mãe de Mônica (Mônica Iozzi), em especial, não quer mais a filha perto de Cebolinha, e a coloca numa nova escola. Crescer e amadurecer será um processo difícil, de entrada num novo mundo, tentando manter suas próprias individualidades. Para piorar, os pais de Cebolinha (Paulo Vilhena e Fafá Rennó) o colocam numa fonoaudióloga para falar corretamente; Cascão deverá aprender a nadar; e Magali fará aulas de culinária para aprender a controlar sua ansiedade e comer menos.
 
Simbolicamente, cada um deve tentar manter sua característica individual no duro processo de amadurecimento. Mônica, na nova escola, não é mais a “dona da lua”, como diz o Cebolinha. Sem amigos e amigas, ela é hostilizada e sente falta da turminha. Esses são os momentos mais emotivos do roteiro de Thiago Dottori e Mariana Zatz, que conseguem equilibrar com sinceridade os elementos emocionais e cômicos do longa.
 
Turma da Mônica: Lições é, assumidamente, mais emotivo do que o filme anterior e do que se esperaria de uma aventura do grupo de personagens. E é nessa emoção que está a força do longa. Amadurecer é inevitável e, a partir disso, há um processo de descoberta do mundo e de si mesmo. Como se manter individual numa sociedade que, eventualmente, irá pasteurizar a todos? O quarteto aprende a duras penas que, apesar de tudo, aquilo a que alguns chamam de defeito é o que faz de nós o que somos.
 
Repetindo seus papéis, as crianças estão ainda mais em sintonia com as personagens e aproveitam bem todos as potencialidades do texto – em especial Laura Rauseo e Gabriel Moreira, que têm algumas das tiradas mais engraçadas do filme. Lições ainda traz uma vasta galeria de outras personagens infantis de Maurício de Souza, com destaque para Milena (Emily Nayara), Do Contra (Vinicius Higo), Marina (Laís Villela) e Humberto (Lucas Infante). Além deles, nos créditos finais, há um gancho perfeito para um terceiro filme.
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