04/06/2026
Drama Comédia

Duas Famílias

Duas famílias bastante opostas vivem nos subúrbios de Roma: uma delas é formada por comerciantes de armas admiradores de Mussolini: a outra é composta por um médico, uma cineasta e seu filho estudante de filosofia. Um atropelamento leva esses mundos a se encontrarem.

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O humor do italiano Duas Famílias é um tipo bastante peculiar: carregado de um cinismo nem sempre engraçado, mas revelador. Escrito e dirigido por Pietro Castellitto (filho do ator e diretor Sergio Castellito e da atriz e escritora Margaret Mazzantini), que também tem um papel central aqui, o longa é uma espécie de filme coral, carregando nas tintas do horror do cotidiano de um subúrbio romano. No Festival de Veneza, na mostra Horizontes, em 2020, o filme ganhou o prêmio de roteiro. Depois, o diretor ganhou o David Di Donatello de estreante.
 
De um lado, está a família Vismara, à qual pertencem os irmãos Claudio (Giorgio Montanini) e Carlo (Claudio Camilli), donos de uma loja de armas. Eles são facilmente manipuláveis pelo tio Flavio (Antonio Gerardi), um homem cheio de preconceitos. Essa é uma família clara e assumidamente fascista, com direito a canções que exaltam a extrema-direita e o retrato de Mussolini.
 
Na outra ponta, está o estudante de filosofia Federico Pavone (Pietro Castellitto), um jovem obcecado por Nietzsche, filho de um médico, Pierpaolo (Massimo Popolizio), e uma diretora de cinema, Ludovica (Manuela Mandracchia), que está rodando um filme histórico. Claramente, é uma família em oposição à dos outros dois irmãos, inclusive porque também está distante do mundo suburbano. São ricos e no apartamento é luxuoso a cineasta deixa bem à vista seus prêmios.
 
Os dois mundos irão se chocar quando Ines (Marzia Ubaldi), a matriarca dos Vismara, é atropelada, e Pierpaolo é quem a ajuda. A partir daí, vários acontecimentos expõem o estado da Itália atual, das diferenças de classe e de cultura que marcam as personagens de Duas Famílias. Todos são predadores (o título original traduz-se, aliás, como Os Predadores) no mundo contemporâneo – não há outra opção.
 
O jovem Castellito, de 28 anos, também não se poupa, satirizando até mesmo seu ambiente – com a mãe do personagem sendo uma diretora de cinema que lhe dá uma criação intelectual –,  e se cerca com um diretor de fotografia, Carlo Rinaldi, especializado em terror. Apesar da ambientação em nada sugerir elementos típicos do gênero, o longa expõe algumas mazelas da contemporaneidade – o que é digno de causar horror.
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