18/07/2026

Em companhia de seus amigos artistas, o coala Buster Moon está montando um espetáculo grandioso, mas nada está dando certo. A protagonista, a porquinha Rosita, tem medo de altura e é preciso convencer Clay Calloway, um músico veterano que abandonou os palcos, a voltar a apresentar-se.

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Há algo de muito estranho nas cópias dubladas para o Brasil da animação infantil Sing 2. Apesar dos diálogos estarem em português, as músicas (parte fundamental do filme, que, afinal, é um musical) continuam na versão original em inglês. Fica ainda mais estranho quando se percebe que a equipe de dublagem nacional inclui cantores e cantoras – como Sandy, Fiuk, Lexa, Wanessa Camargo, Paulo Ricardo e Fabio Jr –, mas eles e elas não cantam. No caso, são mantidas as vozes de Reese Whiterspoon, Matthew McConaughey, Scarlett Johansson e Bono, entre outros.
 
Talvez para as crianças, que estão no cinema pelos bichinhos fofinhos, não faça tanta diferença. E é isso que o filme, dirigido por Garth Jennings, traz: bichinhos fofinhos cantando e uma cena ou outra entre a cantoria com uma história pífia sobre acreditar em seus sonhos – tema perene no cinema infantil produzido nos EUA. O coala Buster Moon, um sonhador diretor de espetáculos, acredita que pode fazer o melhor show já visto no hotel do ricaço Jimmy Crystal, um lobo branco sem coração que lembra Donald Trump em sua vaidade e arrogância.
 
A performance, que envolve uma viagem espacial, será protagonizada pela porquinha Rosita, que, finalmente, irá provar o seu grande talento para o marido e a dezena de filhos. Porém, por conta de seu medo de altura, acaba substituída por Porsha, filha de Jimmy Crystal, uma adolescente exibicionista e fútil à la Paris Hilton, cujo talento é questionável, mas consegue o papel por ser filha do homem que banca o espetáculo.
 
Nada sai como o planejado: a elefanta Meena não consegue encontrar química com seu parceiro de cena, mas se apaixona pelo vendedor de sorvetes que fica do lado de fora do hotel; o gorila Johnny precisa aprender a dançar; e a porco-espinho Ash tem que convencer o roqueiro veterano Clay Calloway a voltar à ativa desde que se tornou recluso após a morte de sua mulher.
 
Aqui sai de cena o charme que havia no primeiro filme, Sing: Quem canta seus males espanta, e entra no lugar algo que se assemelha ao Tik Tok, uma série de performances curtas e barulhentas com gags visuais que podem viralizar facilmente. Vendo um filme como Sing 2, não fica difícil compreender o que há de bom em longas voltados ao púbico infantil, mas com algum conteúdo mais trabalhado – como, em especial, aqueles produzidos pela Pixar.
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