04/06/2026
Drama

Delicioso: Da cozinha para o Mundo

Depois do chef Manceron ser demitido da corte do duque porque ousou inventar um novo prato, ele resolve que nunca mais cozinhará. Mas a chegada de uma mulher que quer ser sua aprendiz muda tudo, e eles acabarão inventando o restaurante.

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Filmes sobre comida deveriam trazer as receitas no canto da tela. Como o francês Delicioso: Da cozinha para o mundo, de Éric Besnard. Se bem que a receita da iguaria que dá título ao longa, inventada pelo protagonista, não é difícil de imaginar: uma massa básica de torta, colocada numa tigelinha que possa ir ao forno, recheada com camadas alternadas de fatias finas de batata e trufa negra, coberta com uma fina camada de massa. O problema para o personagem, Manceron (Grégory Gadebois), é que ele serve isso na corte da França do século XVIII, onde e quando a batata era uma comida de pobres plebeus.
 
O filme começa com o chef concebendo esse pequena maravilha e, na sequência, sendo humilhado num jantar oferecido pelo seu patrão, o Duque Chamfort (Benjamin Lavernhe). Ele acaba despedido e, com seu filho adolescente, Benjamin (Lorenzo Lefèbvre), se refugia num pequeno casebre de um amigo, onde promete nunca mais cozinhar – ao menos que não seja para sua família. Surpresa, surpresa! Ele irá cozinhar de novo.
 
A mudança começa com a chegada de uma desconhecida, Louise (Isabelle Carré), que fazia compotas e geleias para a corte de Chamfort e agora ser aprendiz. A princípio, Manceron recusa, mas ela o convence e acaba se mudando para viver com ele, o filho e um amigo já idoso, Jacob (Christian Bouillette). O roteiro, assinado pelo diretor e Nicolas Boukhrief, segue alguns caminhos bastante óbvios, mas tudo é feito com carinho e sinceridade – como a comida do protagonista.
 
Esse é um tipo de filme francês que a geração da Nouvelle Vague chamaria de “le cinéma de papa” tipo exportação, que segue os padrões hollywoodianos de técnica e narrativa, mas não é exatamente um problema, no caso. Besnard faz um filme agradável e bonito visualmente – as composições envolvendo comidas cruas ou pratos preparados são particularmente bonitas na fotografia assinada por Jean-Marie Dreujou            .
 
Delcioso... é uma fantasia sobre a invenção do restaurante como conhecemos hoje em dia. Uma verdadeira revolução nos costumes, haja vista que antes havia apenas, segundo o filme, estalagens com pratos prontos e ruins. Manceron inventa de oferecer um menu diversificado, com a comida preparada na hora e saborosa a preços acessíveis aos plebeus – que não precisavam, exatamente, comer apenas batatas. Foi uma pequena revolução que prenunciou uma bem maior depois, na qual a nobreza teria preocupações bem maiores do que esnobar as batatas.
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