04/06/2026
Comédia

O caminho para Moscou

Na época da queda do Muro de Berlim, em 1989, Schuler é um detetive de polícia, que se infiltra num grupo de teatro supostamente radical que estaria planejando um golpe de estado.

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É no final dos anos de 1990, quando o Muro de Berlim caiu, que está situada a trama de O Caminho Para Moscou, inspirado num escândalo suíço no qual se descobriu que a polícia local tinha mais de 900 mil arquivos sobre cidadãos e cidadãs comuns, secretamente espionados por suas opções ideológicas e práticas políticas. Por essa questão, é um filme que tem certa atualidade, quando tudo é acusado de “comunismo” apenas por discordar do discurso vigente.
 
O diretor Micha Lewinsky opta por uma comédia até leve, mas nem por isso menos pueril, para falar de tempos de incerteza política. Não era necessário muito para ser perseguido: bastava entregar  na rua panfletos de inclinação de esquerda para tornar-se um suspeito. O principal alvo é um grupo de teatro fictício, que pode estar planejando um golpe e é espionado por um detetive de polícia infiltrado.
 
Viktor Schuler (Philippe Graber) é o policial cheio de boas intenções, no sentido de agradar a seus superiores e ao governo, mas não muito brilhante, que, na companhia de um colega, passa-se por aspirante a ator que se voluntaria como figurante de uma montagem de Noite de Reis, produzida por um grupo de teatro supostamente radical.
 
A investigação, no entanto, mostra que não há nada de radical ali – a começar pela terrível encenação supostamente transgressora da peça. Para decepção de Schuler, essa é só mais uma trupe teatral com alguns elementos praticamente típicos: um diretor egocêntrico, arrogante e machista, um elenco péssimo e com claras inclinações burguesas.
 
Talvez a maior decepção do detetive seja descobrir que Stanislavski, de quem tanto falam, não é um intermediário de Moscou. Será inevitável que o protagonista também passe a questionar o que está fazendo ali e se espionar aquelas pessoas não é errado. Além disso, a arte, mesmo que medíocre, como mostra o filme, pode ser libertadora e capaz de abrir a mente, apresentando a Schuler uma consciência social que ele desconhecia.
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