03/06/2026
Drama

O Pacto

Famosa depois de sua volta da África, a baronesa e escritora dinamarquesa Karen Blixen recebe a visita de um jovem poeta, Thorkild. Ele deseja que ela leia seu livro de poemas, mas o que ela propõe é um pacto, em que ela poderá ajudá-lo a ter o sucesso que almeja. Mas o preço pode ser mais alto do que ele imagina.

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Conhecida como a personagem interpretada por Meryl Streep no premiado drama romântico Entre Dois Amores I(1985), a escritora dinamarquesa Karen Blixen é revivida numa outra fase da vida e numa chave inteiramente diferente no filme O Pacto, de Bille August.
 
Em 1948, a baronesa Karen (Birthe Neumann) tem 63 anos e tornou-se uma escritora consagrada, anos depois da publicação de suas memórias no Quênia em seu famoso livro de 1937, A Fazenda Africana (Out of Africa) - que inspirou o filme de Sydney Pollack. Aproxima-se dela um jovem poeta, Thorkild Bjornvig (Simon Bennebjerg), cuja única intenção é que ela leia seu livro. Karen, no entanto, tem outros planos: deseja que Thorkild escreva um livro sobre ela. E não apenas isso.
 
O que Karen propõe ao jovem é um pacto, mediante o qual ele terá que seguir cegamente suas instruções para dedicar-se inteiramente à literatura, abrindo-lhe portas com seus contatos. O que Thorkild não pode imaginar é a extensão desse compromisso, porque a baronesa deseja levá-lo a uma total ruptura com seus laços, inclusive sua mulher, Grete (Nanna Skaaruje Voss) e o filho pequeno, levando-o a ter experiências radicais de vida que alimentem sua literatura. Em troca, ela exige uma lealdade incondicional.
 
Mesmo hesitante, Thorkild adere a este pacto, que pode conduzi-lo a um sucesso com que sonha há tantos anos, pensando poder resistir aos arroubos mais extremos de sua protetora. No entanto, não imagina o quanto é difícil este duelo com uma mulher madura, amargurada, não raro impulsiva e manipuladora.
 
Vista em filmes como Festa de Família, a veterana atriz dinamarquesa Birthe Neumann abraça esta personagem ambígua com um misto de força e fragilidade, expondo as contradições de uma mulher que tudo perdeu na África, com a morte trágica de seu amante, Denys. Por conta dessa sua ligação visceral com a vida e as paixões, ela quer sacudir Thorkild do que considera seu apego às limitações da vida burguesa, crendo que na literatura isto é certeza de açodamento e fracasso. 
 
De sua parte, Simon Bennebjerg não consegue uma interpretação tão intensa, especialmente pela entrega de duas outras personagens femininas que gravitam em torno dele: Nanna Skaaruje Voss comove extremamente como Grete, a esposa confrontada pela disputa do marido com Karen, e Benedicte (Asta Kamma August), muito envolvente como uma mulher casada que vive um amor proibido com Thorkild.
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