04/06/2026
Fantasia Ação

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Dotada da capacidade de viajar entre os diversos universos paralelos, América Chavez vai enfrentar a Feiticeira Escarlate, que quer apossar-se de seus poderes, que a garota não sabe ainda controlar. Mas o Doutor Estranho colocará seus próprios poderes para ajudar a menina e impedir a catástrofe.

post-ex_7
Um dos mais ambíguos herois do universo Marvel, o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) ganha, neste seu segundo longa solo, uma jornada tão alucinante que não será vergonha se algum espectador se perder mais de uma vez no meio dela. Afinal, o mote de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura está nas viagens entre vários universos paralelos, agora que o Mestre das Artes Místicas encontrou uma viajante inveterada entre eles, América Chavez (Xochitl Gomez).
 
Este é, também, o trajeto de um candidato a mentor, o Doutor Estranho, e uma pupila insegura, já que América tem esse poder de trafegar entre os múltiplos universos, mas não tem a menor ideia de como controlá-lo. Sua capacidade, é claro, já atraiu a cobiça de candidatos a esse controle, no caso, a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), uma mulher poderosa e com agenda própria, com sérias obsessões maternais.
 
Dirigido por Sam Raimi, que já tem a seu crédito três exemplares de Homem Aranha no início dos anos 2000, o novo filme tem uma atmosfera tão frenética quanto sinistra, não economizando nem na variedade visual dos universos visitados - não raro, numa velocidade alucinante - quanto na violência dos vários enfrentamentos. Raimi tem um gosto sangrento, que aqui se justifica mas torna o filme inadequado para crianças pequenas e estômagos sensíveis.
O roteiro de Michael Waldron explora com afinco a dualidade do Doutor Estranho, dividido entre o apreço pelas próprias artes e sua missão quanto por uma resistente paixão por Christine (Rachel McAdams) - mas, como se sabe, em filmes como este, o sacrifício das paixões está sempre em primeiro plano, como se viu também no mais recente exemplar de Animais Fantásticos.
 
Neste carrossel constante entre um mundo e outro, sempre perseguidos pela Feiticeira Escarlate - uma atuação muito convincente de Elizabeth Olsen, no papel que faz um duo com Wanda -, Doutor Estranho vai reencontrar vários conhecidos do mundo Marvel, com quem nem sempre manteve as relações mais cordiais, caso de Mordo (Chiwetel Ejiofor).
 
Mas suas aventuras dão espaço a outros reencontros mais cativantes para o público, como o infalível Wong (Benedict Wong) e o bom e velho professor Xavier (Patrick Stewart). Mas nada supera, em intensidade dramática inclusive, o encontro do Doutor Estranho com versões alternativas de si mesmo. É aí que o roteiro e o filme pisam em território mais ambicioso e promissor, estendendo as possibilidades da história. 
 
Quanto à recém-chegada América, sua jornada é mais de amadurecimento e promessa para o futuro. Porque, ao final deste filme, ninguém terá dúvida de que esta saga está apenas começando. 
post