O terror tailandês A Médium, de Banjong Pisanthanakun, em suas infindáveis mais de 2 horas – e exclusivamente lançado na versão dublada em português – se vale do surrado artifício de fingir ser um documentário – um subgênero cuja data de validade já expirou há anos. As protagonistas são uma mulher de meia-idade, Nim (Sawanee Utoomma), uma médium que quer passar seu dom para a sobrinha, Mink (Narilya Gulmongkolpech), já que não tem filhos.
A premissa é intrigante, mas o tratamento é o mesmo de sempre. Nem a especificidade cultural e religiosa da Tailândia, que poderia trazer algum frescor aqui, é bem aproveitada, uma vez que Pisanthanakun se vale dos mesmo recursos e temas usados pelas produções americanas, chegando a se valer até das “filmagens encontradas” à la Bruxa de Blair. Produzido pela Coreia do Sul, onde fez enorme sucesso, A Médium costura mal seu excesso de ideias e acontecimentos, sem ser assustadora o bastante.
Nim,se diz protetora dos moradores de seu vilarejo graças ao seu conhecimento e rituais xamânicos. Ela se tornou a receptora dos espíritos quando sua irmã, Noi (Sirani Yankittikan), se recusou a aceitar a função na juventude. Desde então, as duas não se falam, mas ainda assim a protagonista viaja para acompanhar o funeral do cunhado. É quando encontra sua sobrinha Mink, uma bela jovem que mora na cidade, que está desenvolvendo um comportamento estranho.
A segunda metade do filme se concentra em Mink, cada vez mais estranha, e transita entre as imagens do “documentário” e outras captadas por câmera de segurança. É preciso dar o braço a torcer que a “equipe” do documentário é bastante corajosa, e acompanha momentos alarmantes sem nunca cogitar abandonar o posto.
Esse é só mais um dos elementos implausíveis – mesmo no universo do terror – de A Médium. É de se pensar se Pisanthanakun não teria extraído daí um filme bem melhor se filmasse de maneira convencional, e não o falso-documentário. De qualquer forma, como é comum no gênero, a porta está aberta, e as possíveis continuações podem melhorar isso.
