Com um currículo recheado de comédias de sucesso, como o duo De Pernas pro Ar e a trilogia Até que a Sorte os Separe, o diretor Roberto Santucci investe mais uma vez numa fórmula-padrão para realizar Quatro Amigas numa Fria. O título é auto-explicativo. Aonde a história quer chegar, idem. Resumo da ópera: quatro amigas de infância nem tão jovens assim se reúnem novamente para uma viagem de férias a Bariloche, que pretende ser a despedida de solteira de uma delas, Dani (Maria Flor) - a mais certinha do quarteto, que se divide em personalidades bem estereotipadas. Dele fazem parte a mãe estressada, Lud (Micheli Machado), que só pensa na viagem para ter uma noite completa de sono; a virgem madura Josie (Priscila Assum), com todo seu arsenal de alergias e manias; e a sensual e um tanto irresponsável Karen (Fernanda Paes Leme).
O time masculino não tem muito o que fazer na história, até porque será colocado de escanteio, só entrando em campo ocasionalmente - caso do marido de Lud, Ailton (Babu Santana), do noivo de Dani, Guto (Marcos Veras) e de dois argentinos que serão companheiros de surpresa na viagem das moças, o fotógrafo bonitão Ricardo (Pablo Bellini) e um viúvo a fim de um novo amor, Estebán (Charles Paraventi).
Para dar conta da historinha das quatro e sua aventura cheia de incidentes em Bariloche - começando pelo fato de que Karen esqueceu de reservar o hotel -, o filme se prolonga um tanto demais, passando de 1h40. E se sente a duração. Não que o filme seja mal-produzido - bem ao contrário. Mas o ritmo não flui. É o tipo da comédia que visa, aparentemente, uma classe média alta, procurande seduzir com as inegavelmente belas paisagens de Bariloche, seus hoteis, restaurantes (com direito a alguns merchãs), além dos figurinos vistosos. Segue, assim, uma lógica superficial de novela - assista, encha os olhos de coisas bonitas, algumas situações provocativas e constrangedoras (uma delas, envolvendo um comissário de bordo gay, supra-sumo do chavão surrado), ou seja, aquele tipo de comédia digestiva e esquecível, que não pretende mais do que isso mesmo, extrair alguns risos. Eventualmente, consegue.
Mas, especialmente sendo-se mulher, sempre se tem direito a lamentar que os tipos considerados padrão se limitem às personagens que vemos na tela. A História, afinal, continua avançando, as mulheres, mudando, e muitos diretores e roteiristas - aqui, a dupla Paulo Cursino e Taisa Lima - fingindo que não vêem, talvez para não correrem riscos.
Em tempo - nenhum reparo às atrizes, que se esforçam ao máximo para carregarem seus personagens com dignidade e algum encanto. Mas a gente gostaria de um pouco mais de criatividade e ambição, com toda a licença que se possa conceder a uma comédia.
