03/06/2026
Documentário

O último país

Depois de alguns anos morando fora, Gretel Marín, uma cineasta cubana radicada na França, volta ao seu país. O documentário acompanha não apenas o impacto que sente pelo retorno, mas também as transformações de Cuba.

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Nascida em Cuba e radicada na França, a jovem cineasta Gretel Marin volta à sua ilha no documentário O último país, filmado em 2015, e no qual ela investiga as transformações que o país enfrentou nos últimos anos. “Eu sabia que não seria fácil voltar”, diz ela logo na abertura do longa, e o que vemos, ao longo de pouco mais de uma hora, é o retrato de um local em mudança, no qual o tradicional (em certa medida, o arcaico) e o moderno se encontram. Ora se combinam, ora duelam. 
 
O documentário funciona, por um lado, como uma desconstrução da Cuba mítica de igualdade e parada no tempo. Por outro, é uma celebração da tradição. Os celulares, por exemplo, estão por todo lado – especialmente nas mãos dos jovens e crianças. Duas mulheres comentam a importância do fim do bloqueio contra a ilha – um assunto bem em voga na época da filmagem –, e as vantagens que isso traria ao país. 
 
Por mais que O último país toque em temas polêmicos – como liberdade e homossexualidade em Cuba – não deixa de estar um pouco datado – afinal, foi gravado há mais de cinco anos. Fidel Castro estava vivo na época, mesmo não sendo mais presidente do país. 
 
Há também algo do qual o filme não teria como escapar: um olhar estrangeiro. A própria diretora assume-se como estrangeira em seu próprio país, “algo como um peixe fora-d’água, como um ser distante, anacrônico, parcialmente dessincronizado”. E acrescenta em francês: decalé, deslocado. Suas lembranças do passado servem como ponto de partida para a observação no presente. 
 
Este é um filme em primeira pessoa, Gretel se coloca em destaque e transforma a redescoberta de seu país no centro da narrativa. A juventude cubana também tem um papel proeminente, pois se trata de um documentário com olhar voltado para o futuro. A juventude pensa em partir, procurar uma vida melhor fora de Cuba – algo não muito diferente do que a cineasta fez.
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