Alex Lewis é um veterano matador de aluguel que está começando a ter problemas de memória por conta do mal de Alzheimer. Quando ele recebe uma nova missão, descobre que um de seus alvos é uma menina de 13 anos e se rebela. Surgem problemas com seus empregadores e com os contratantes poderosos. Um agente do FBI, Vincent Serra, tenta decifrar o enigma, enquanto mortes acontecem aos montes.
- Por Neusa Barbosa
- 06/06/2022
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Faltam palavras para comentar mais um papel de matador em crise de consciência para o ator Liam Neeson, o que ele faz quase no piloto automático em Assassino sem Rastro, de Martin Campbell.
De Busca Implacável (2008) para cá, o talentoso ator irlandês, que acaba de completar 70 anos, tem oscilado entre papéis de assassino de aluguel e agente secreto arrependido ou em conflito com as inúmeras mortes que acumula no currículo, quase sempre engajado em alguma jornada ética ou de salvação de algum parente.
A insistência nesse tipo de papel não raro cansa os que, como eu, esperam mais de um ator que já nos deu tantas interpretações marcantes - como em A Lista de Schindler, Michael Collins - O Preço da Liberdade, Gangues de Nova York ou mais sutis, como no recente Nosso Amor.
O próprio material em que se baseia Assassino sem Rastro não é original, adaptando o filme belga The Memory of a Killer, de Carl Joos e Erik Van Loy, que por sua vez se inspirava no livro The Alzheimer Case, de Jef Geeraerts. Nenhum problema com isso, desde que a revisita à história de um velho matador enfrentando o início do mal de Alzheimer saísse um pouco mais dos surrados clichês de gênero. Mas nada disso acontece aqui.
Neeson não é nenhum Charles Bronson ou Chuck Norris, por isso, consegue despertar mais simpatia, apesar de ser assassino de aluguel - e por isso certamente ele é lembrado para estes papeis. Neste caso, ele é Alex Lewis, um veterano muito eficaz que está sentindo os primeiros sinais do Alzheimer, o que o leva a marcar informações que não pode esquecer no próprio braço. Mas, evidentemente, esta progressiva perda de foco o coloca em risco, uma situação que o roteiro de Dario Scardapane não aproveita tão bem quanto se poderia esperar.
Na verdade, Alex desempenha suas ações letais com muita rapidez e invisibilidade, quase como um herói de ação dotado de superpoderes. E encontra seu limite quando, contratado para duas mortes, descobre que um dos alvos é uma menina de 13 anos (Mia Sanchez). Este assassino tem uma ética e, por conta disso, acaba se voltando contra seus empregadores e armando sua própria vingança contra uma sinistra rede de exploração infantil.
Do lado da lei, o agente do FBI Vincent Serra (Guy Pearce), que tem sua própria cota pessoal de traumas familiares, torna-se a pessoa com quem Alex tenta uma aliança à distância, ao mesmo tempo em que deixa uma pilha de corpos pelo caminho.. Apenas Vincent, afinal, parece entender que ele tem um plano, por mais questionável que seja.
No elenco de apoio, destacam-se a inglesa Taj Atwal como a agente Linda Amisted, que injeta algum humor na tensão, e o mexicano Harold Torres, como o agente Hugo Márquez, um durão com alguma alma. Mas chama mesmo a atenção a italiana Monica Bellucci, como a milionária Savana Sealman, a quem cabe um papel de vilã caricata digna de filme B. Muita correria, pouca empatia, é isto o que define o filme de Martin Campbell, que viveu bem melhores dias à frente de 007: Cassino Royale (2006).
