02/07/2026
Drama Biografia

Um broto legal

Morando no interior de São Paulo, a jovem Célia Campelo mostra um enorme potencial como cantora, além de ser extremamente carismática. Seu irmão, Tony, sonha em ser um cantor famoso e acaba levando-a para São Paulo, onde se tornará conhecida como Celly Campelo.

post-ex_7
Celly Campelo é uma figura-central no cenário do rock nacional. Pouco (senão totalmente) desconhecida das novas gerações, no final dos anos de 1950 e começo da década seguinte, ela foi responsável por modernizar o que a juventude ouvia aqui. Combinando talento vocal com carisma, ela arrebatou ouvidos e corações. Um Broto Legal, de Luiz Alberto Pereira, é um olhar carinhoso sobre ela, assinado por um fã.  
 
Ao contrário da protagonista, o longa não é ousado, nem inventivo, mas, ao mesmo tempo, o tom discreto combina com o momento histórico que retrata, marcado por uma certa picardia ingênua que não fazia mal a ninguém. É, em certa medida, um filme nostálgico e carinhoso tanto com aquele período como com sua protagonista.
 
Marianna Alexandre, que tem no currículo a novela bíblica Gênesis, estreia no cinema com esse filme, e é o ponto-forte do longa. Aliando carisma com seu talento vocal – tal como a protagonista –, ela domina a cena e traz uma euforia e brilho que Um broto legal nem sempre mantém.
 
A bem da verdade, é bom dizer que o filme evita a armadilha de contar a vida toda da biografada, concentrando-se nos anos que levaram Celly, nascida Célia, à fama, quando estourou em 1959 com Estúpido Cupido, e seguiram sucessos, como  Lacinhos Cor-de-Rosa, Billy, Banho de Lua.
 
Morando em Taubaté, interior de SP, ela era uma pequena celebridade local, apresentando-se no clube e na rádio. Era seu irmão, o também cantor Tony Campelo, que sonhava com a fama, a ponto de se mudar para a capital. No filme, é interpretado por Murilo Armacollo.
 
O grande conflito de Celly, como de boa parte das moças daquela época de mudanças, era entre o lar e o trabalho. Ela gosta de cantar e se apresentar, mas pretende se casar com o namorado, Eduardo (Danillo Franccesco). O roteiro, assinado pelo diretor e Dimas Oliveira Jr, ameniza os embates e traz a história num tom que beira o lúdico.
 
Como dito, é um filme um tanto ingênuo, mas competente na parte técnica, contando com uma atriz eficiente no papel central. No entanto, um pouco mais de ousadia não faria mal a Um Broto Legal, especialmente ao retratar uma figura que, mesmo discretamente, desafiou sua época.
post