04/06/2026
Comédia Drama

Verão Feliz

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O menino Masao (Yusuke Sekiguchi) é visitado em sonhos por imagens que pertencem a outros tempos do cinema japonês, figuras de samurais à antiga, que povoaram os filmes de Yasujiro Ozu, Kenji Mizoguchi e Akira Kurosawa. Prova de que o ator, roteirista e diretor Takeshi Kitano bebe na fonte do imaginário destes mestres do passado e vai adiante, já podendo reinvindicar o título de mais importante cineasta japonês atual. Aos 52 anos, ele embarca numa viagem mais intimista em seu novo trabalho, Verão Feliz, exibido no Festival de Cannes 1999 sem reunir a mesma unanimidade em torno de seu trabalho anterior, Hana-bi - Fogos de Artifício, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza em 97.

Um dos grandes talentos de Kitano é transformar em trunfo tudo que, a princípio, seria desvantagem, a partir de seu próprio físico, usando como recursos cômicos sua figura atarracada, as pernas curtas e até mesmo o rosto, que exibe uma leve tique muscular, fruto de um acidente, anos atrás. Mas seu ponto mais ponto forte é unir o registro dramático ao poético com um humor que busca sempre surpreender, o que ele faz aqui, ao contar a amizade entre um menino de 9 anos e um adulto atípico, Kikujiro (o próprio Kitano).

O acaso uniu estes dois conhecidos numa jornada em busca da mãe do menino, tendo como pontos de partida apenas uma fotografia, um endereço e uma imagem idealizada. Kikujiro, o adulto que deveria manter os pés no chão, leva tantos ou mais sonhos na própria bagagem: aprender a nadar, ganhar dinheiro em apostas, ter roupas bonitas. O personagem inspira-se na recordação pessoal de Kitano do próprio pai, um hábil carpinteiro, pintor de paredes e dançarino que tinha uma paixão invencível pelo jogo e costumava sumir, deixando a família. A aventura segue num tom doce-amargo, agregando companheiros como o robusto motoqueiro inspirado nos Hell's Angels (Great Gidayu), divertida amostra de como os signos ocidentais são reinterpretados no Japão. Ao que tudo indica, o fim do século procura por um novo humanismo e Takeshi Kitano é uma de suas melhores tentativas.

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