É curioso ver o nome de Richard Pryor, morto em 2005, entre os roteiristas da animação infantil O lendário cão guerreiro – nesse caso, é igualmente curioso ver o nome do quase centenário Mel Brooks, que também dubla um personagem na versão original. Mas o roteiro do filme é inspirado em Banzé no Oeste, comédia clássica que conta com a dupla no roteiro.
Essa animação recicla, com animais engraçadinhos, a premissa de Banzé no Oeste, diminuindo a voltagem do humor – obviamente, menos ácido aqui –, adequando-o ao público-alvo. O que não quer dizer que tudo seja ingênuo e de bom gosto, pois algumas piadas envolvendo privada estão presentes aqui, e, às vezes de forma literal.
O cenário é um vilarejo numa espécie de oeste nipônico habitado apenas por gatos, tiranizado por seu governante vaidoso, Ika Chu, um felino da raça somali, que pretende destruir o lugar, colocando como samurai local um cachorro, Hank, um beagle desajeitado e atrapalhado.
Obviamente, o animal é mal recebido pelos gatos do vilarejo, que têm preconceito contra cães. Mas, ao fim, todos aprendem uma lição, inclusive os pimpolhos e pimpolhas na plateia, sobre a aceitação das diferenças. O problema é que o caminho até chegar aí é tortuoso, pouco criativo, mesmo visualmente sendo eficiente.
Dada a premissa, o cenário e a estética, não é de espantar que O lendário cão guerreiro lembre Kung Fu Panda, algo que o público mirim logo irá notar, possivelmente para seu próprio deleite. Já os adultos deverão encontrar as referências a filmes como Amor, Sublime Amor, Mamma Mia! e Cats, além dos quadrinhos Maus.
Nada disso, no entanto, leva o filme a outro lugar que não sua posição de animação genérica e reciclada. Os bichinhos são fofos – isso é o básico. Hank é uma graça com seus grandes olhos azuis e personalidade atrapalhada, mas, no fundo, não muito mais do que isso. Numa era em que as animações têm roteiros cada vez mais sofisticados, o personagem poderia render bem mais.
