18/07/2026
Drama

Marte um

O casal Tércia e Wellington, morador de Contagem (MG), tem dois filhos, a jovem Eunice, estudante de Direito e professora, e o garoto Deivinho, talentoso no futebol mas sonhando escondido em tornar-se astronauta na primeira missão colonizadora em Marte. O ano é 2018 e seus desafios estão se tornando mais duros.

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Em Marte Um, Gabriel Martins, diretor de Minas Gerais, confirma com sobras o talento demonstrado em sua enérgica estreia, No Coração do Mundo (2019), codirigido por Maurílio Martins. Depois de passar por Sundance e Gramado - onde venceu 4 prêmios, incluindo Especial do Júri, roteiro, trilha musical e júri popular, o novo filme traz para as telas todo um potencial arrebatador num melodrama familiar que retrata com as tintas da ternura uma família negra e trabalhadora de Belo Horizonte, desfiando suas agruras e esperanças num país que acabava de eleger Jair Bolsonaro, em 2018. 
 
A capacidade de empatia do filme, facilmente demonstrável na emocionante sessão do filme em Gramado, está na profundidade com que delineia o perfil de seus quatro protagonistas: Tércia (Rejane Faria), a mãe, empregada diarista; Wellington (Carlos Francisco, de Bacurau), o pai, zelador de um condomínio; Eunice (Camilla Damião), a filha mais velha, estudante de direito e professora; e Deivinho (Cícero Lucas), o caçula, que o pai quer que seja jogador de futebol, mas ele sonha tornar-se astronauta, participando da primeira missão de colonização do planeta vermelho. 
 
Compartilhando do cotidiano de gente de carne e osso, desafiando as carências e dificuldades, apoiando-se mutuamente no afeto e não abrindo mão de alegrias e sonhos, o filme evoca um humanismo denso e nada piegas que é, aliás, a marca registrada das produções da Filmes de Plástico, a produtora deste filme, da qual fazem parte o produtor Tiago Ricarte, o diretor e produtor Maurílio Martins e o mais conhecido da turma, o ator e diretor André Novais Oliveira (Temporada, Ela Volta na Quinta). 
 
O que se vê na tela é gente comum, batalhadora, cujos olhos brilham, cujos sorrisos contagiam, cujas contradições são sempre congruentes, imprimindo uma verdade aos seus menores gestos que irmana o público e convida à fraternidade. 
 
Há cenas lindas que ficam na memória: os dois irmãos, cada um em seu beliche, compartilhando segredos à noite; a partida da filha, que vai morar com a namorada (um desafio para os pais que é tratado de forma sutil na história); a primeira visita da namorada à casa, envergando uma camisa do Atlético Mineiro (pai e mãe são cruzeirenses); e o final, arrebatador, remetendo às estrelas. Mesmo que a gente saiba quanto sofrimento aguarda este quarteto naqueles anos à sua frente, sabemos que eles, seguindo seu mote nada conformista, darão um jeito, abrindo as portas de dias melhores.
 
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