Mais uma semana de estreias no cinema, e mais uma comédia nacional situada num mundo asséptico com personagens destituídos de complexidade, com um humor levinho que não investe nas possibilidades cômicas, nem dramáticas das situações. Sorte é exatamente o que há para a protagonista de Uma pitada de sorte, cuja vida se transforma sempre ao gosto do acaso.
Fabiana Karla, comprovada atriz de comédias, faz aqui o feijão-com-arroz numa personagem meio sem sal. Ela é Pérola, uma sous chef num restaurante baladado, que, num momento de tentar brilhar, muda uma receita famosa com um toque pessoal, o que desagrada uma cliente rica e influente, resultando na demissão da cozinheira.
Coincidentemente, essa cliente é Margô (Regiane Alves), executiva de televisão que assina um programa culinário de sucesso, apresentado por um chef argentino, Diego (Iván Espeche). As pesquisas indicam que o televisivo precisa tornar-se um pouco mais popular, e abre-se uma vaga de ajudante para servir de alívio cômico. Pérola, que foi ao canal reclamar com Margô e Diego de sua demissão, acaba fazendo o teste e ganha o posto. Sem experiência na televisão, ela é marcante por sua espontaneidade e jeito simples. Mas ela não irá cozinhar; será, no fundo, alvo das piadas do apresentador.
Ao mesmo tempo, Pérola esconde o novo trabalho de sua mãe (Jandira Martini), uma nacionalista ferrenha, que defende tudo do Brasil – seu cão se chama Policarpo –, e tem uma empresa de festas infantis. A filha trabalha como animadora de eventos, sempre com fantasias inusitadas. Não fica muito claro o motivo de esconder o novo trabalho da mãe, haja vista que pagará bem mais do que as festas – mas é um conflito de que aparentemente o filme precisa.
Pérola mantém um flerte com um vizinho, o taxista Lugão (Mouhamed Harfouch), que sonha em abrir uma academia, e fica com ciúmes dela com o chef. Ele e a protagonista têm uma história de amor mal resolvida e mal desenvolvida no roteiro. O filme, dirigido por Pedro Antonio (Um tio quase perfeito, Tô Ryca), não tira muito proveito dessa situação, na verdade, assim como mal aproveita o talento cômico de Fabiana Karla, comprovadamente mais competente do que aquilo que se vê aqui.
