A história de Eike Batista daria um filme nas mãos certas, uma história de riqueza e poder, com altos e baixos, episódios de infidelidade (no trabalho e em casa), culminando na sua prisão. Talvez haja mais assunto para uma novela mais do que para um filme, mas Eike – Tudo ou Nada opta certeiramente em fazer um registro de um momento na vida do empresário: sua queda a partir da exploração da indústria petrolífera. Esse é um dos poucos acertos do longa.
Baseado no livro homônimo da jornalista Malu Gaspar, o longa dirigido pela dupla Dida Andrade e Andradina Azevedo não sabe muito bem onde quer chegar, nem bem por onde ir. Eike é herói ou vilão? A opção parece ser pela segunda alternativa, mas, o tempo todo o filme o coloca como uma vítima bem intencionada que só se deu mal por sua ingenuidade e envolvimento com as pessoas erradas.
O filme começa com Eike (Nelson Freitas), um empresário de sucesso dos setores e energia e mineração, que resolve se envolver com petróleo. Suas empresas, cujos nomes e siglas sempre terminam em X, são, para usar o jargão da área, cases de sucesso, mas, aparentemente, não graças a ele e suas atitudes intempestivas. O filme é narrado por um conselheiro das empresas, Benigno (Thelmo Fernandes), e também melhor amigo (senão o único) do protagonista.
O grupo também conta com Laerte (Marcelo Valle, muito bem), o presidente do grupo, e o Dr. Oil (Xando Graça, roubando a cena), um geólogo que descobriu o pré-sal pela Petrobras, e Eike coopta para sua equipe com o objetivo de obter com mais facilidade acesso a um grande lote no leilão promovido pelo governo. Este, no entanto, ao saber que o empresário tem informações privilegiadas, altera todo o leilão.
O filme tem um pé na comédia – e bem poderia se levar menos a sério – , quando. por meio de um par de óculos de realidade virtual. ele vê lances de sua vida; ou quando abandona a primeira esposa para casar com Luma de Oliveira (Carol Castro), que estava grávida dele, e mais tarde o trairia com um bombeiro.
Com uma visão um tanto estranha do jogo político e calcada na ideia de empreendedorismo, Eike – Tudo ou nada toma, mesmo que involuntariamente, partido de seu protagonista, que, não poucas vezes, berra que sustenta várias famílias com os empregos que gera – o que não é bem assim, afinal, sua riqueza não vem apenas de investimentos, mas especialmente da produção desses funcionários.
