A belga Virginie Efira é uma atriz inegavelmente talentosa e mesmo destemida, mas nem sempre prudente com suas escolhas de papeis. Não raro, ela entra em algumas roubadas, o que é o caso do drama O Segredo de Madeleine Collins.
Nada é o que parece neste filme do diretor Antoine Barraud - cujo trabalho mais conhecido no Brasil é a autoria do roteiro do ótimo documentário Aznavour por Charles. A começar pelo título brasileiro, que remete a uma história policial ou de suspense. Até existem de saída alguns elementos destes gêneros, quando se esboça a história de Judith Fauvet (Virginie Efira), uma mulher dividida entre duas casas, dois maridos e filhos nos dois lares. Na França, está seu marido maestro, Melvil (Bruno Salomone), pai de seus dois filhos adolescentes, Na Suíça, Abdel (Quim Gutiérrez) e a pequena Ninon (Loïse Benguerel). Judith concilia as duas casas através de uma rotina de viagens constantes, já que ela é intérprete de eventos internacionais. Até certo ponto, não se sabe como ela pode esconder uma família da outra, até que começa a se revelar uma teia de segredos familiares e uma trama altamente incongruente.
Não fosse Virginie a atriz carismática que é, a história perderia o fôlego ainda mais rapidamente. Mas, uma vez que se esclarecem as razões da divisão de Judith entre dois homens e dois países, a trama se enfraquece justamente por investir mais numa relativa loucura de sua protagonista do que em criar uma solidez maior para as escolhas da personagem, o que poderia criar uma empatia maior por ela - ainda que o filme, felizmente, não embarque numa jornada moralista. Mas permanece superficial, perdendo uma boa chance de criar um suspense psicológico mais eficiente e digno do talento de sua atriz principal.
Os papeis secundários, então, não passam esboços - uma pena também, já que entre os coadjuvantes estão Jacqueline Bisset (como a mãe de Judith), Valérie Donzelli, como uma sua amiga, e o cineasta israelense Nadav Lapid, como Kurt, um falsificador de documentos.
