08/06/2026
Drama

Segredos em família

Uma família rica passa uma temporada numa mansão isolada. O desaparecimento de um empregado traz à tona os horrores e as tensões que esse clã acumulou ao longo dos anos.

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A grande qualidade do chileno Segredos em Família é reunir dois dos maiores nomes do cinema no país atualmente: Alfredo Castro e Paulina García – uma pena que os personagens dele sejam tão abjetos como o filme que protagonizam. Com uma mão altamente pesada, Jorge Riquelme Serrano, que dirige, co-assina o roteiro, a montagem e a produção, pretende fazer uma crítica de classe, mas cai num gosto estranho pelo grotesco.
 
Críticas à burguesia são sempre bem-vindas, mas o que Riquelme Serrano e o corroteirista Nicolás Diodovich fazem
é inócuo, ao desumanizar os personagens, transformando-os em monstros, o que soa como puro reacionarismo. García e Castro interpretam Dolores e Antonio, um casal rico com comportamentos bastante peculiares. A primeira parte do filme é bastante intrigante e promissora: o desaparecimento de um rapaz chamado Nicolas (Nicolas Zarate), uma espécie de faz-tudo na casa onde o clã está hospedado.
 
Há uma tensão sexual no ar o tempo todo, e isso pode ser a causa do desaparecimento. Os irmãos Máximo (Andrew Bargsted) e Consuelo (Consuelo Carreño), netos adolescentes do casal, parecem estar sempre muito próximos, sempre fazendo brincadeiras que envolvem uma intimidade corporal sugestiva. 
 
O desaparecimento de Nicolas, estranhamente, tira todos os personagens do prumo, os avós, os netos, e Ana (Millaray Lobos), filha de Dolores e Antonio, e seu marido, Alejandro (Gastón Salgado) também começam a discutir. Na verdade, o filme se torna um gritaria na sala de jantar, com todo mundo berrando com todo mundo.
 
Riquelme Serrano parece encontrar algo de crítico nisso, explorando as baixezas da humanidade num filme que preza pelo requinte formal. Uma cena climática de incesto é filmada sem cortes e com uma frieza assustadora. O filme parece querer chocar gratuitamente, apenas para causar polêmica com seu sensacionalismo. É também uma cena de abuso sexual na qual a vítima consente com o que está acontecendo.
 
Nelson Rodrigues fazia algo parecido em suas peças, mas seus personagens eram assumidamente desprezíveis – às vezes, beiravam uma caricatura. Em Segredos em Família, o diretor apenas quer mostrar o quão monstruosos os ricos podem ser – ou seja, nada de novo sobre a Terra. Não há sutilezas, não há discussão, é um retrato de classe que pretende apenas incomodar – e incomoda, mas não pelas maneiras que Riquelme Serrano pensa incomodar.
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