Vencedora do prêmio de direção no Festival de Berlim, a veterana francesa Claire Denis imprimiu ao seu drama amoroso Com Amor e Fúria sua habitual mão pesada - e que aqui não funciona tão bem a serviço da história, especialmente na segunda metade do filme.
Contando com atores bem experientes, como o casal formado por Sara (Juliette Binoche) e Jean (Vincent Lindon), a diretora decola um drama que, na primeira metade, retrata a paixão desse par que vive junto há 9 anos e vê uma sombra do passado ressurgir quando reaparece na vida deles um antigo amor de Sara e amigo de Jean, François (Grégoire Colin).
Há uma interdependência profissional que une Jean a François quando este último convida o primeiro a juntar-se a ele num novo negócio de agenciamento de jogadores juvenis de futebol - um convite que cai melhor ainda a Jean, com um passado de ex-presidiário que a história nunca se preocupa em detalhar, nem realmente faz falta.
A questão central que desestrutura tudo é a repentina recaída na atração entre Sara e François, que nunca é orgânica na narrativa, especialmente por conta do desenvolvimento um tanto insatisfatório da personagem feminina. A maneira como Sara sucumbe a esta antiga ligação não parece compatível com o perfil da personagem, uma bem-sucedida radialista, mulher independente e em idade madura que, muitas vezes, age com a psicologia de uma adolescente insegura.
Este tipo de papel, que Binoche tem repetido muito em sua carreira, na verdade, não lhe cai tão bem. Há uma nítida sensação de obviedade e repetição, tanto em sua personagem como, aliás, no filme todo. Por mais que se evidencie e seja louvável sua intenção de se afastar de uma visão romantizada do amor, Claire Denis, dessa vez, não acertou.
