04/06/2026
Documentário

Arthur Moreira Lima - Um piano para todos

O pianista Arthur Moreira Lima apresenta-se no projeto Um Piano pela Estrada, que levava o artista pelo interior do Brasil a bordo de um caminhão-teatro, montando-se um palco ao ar livre em pequenas cidades para toda a população. O projeto durou de 2002 a 2018.

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O que leva um pianista erudita maduro, consagrado internacionalmente, a abrir mão de toda a pompa e circunstância para participar de um projeto a bordo de um caminhão-teatro, percorrendo o interior do Brasil ? A resposta está no documentário Arthur Moreira Lima - Um Piano para Todos, de Marcelo Mazuras, que acompanha as andanças do artista no projeto Um Piano pela Estrada que, entre 2002 e 2018, visitou mais de 500 cidades de todos os estados do País.
 
Conhecido como intérprete de Fréderic Chopin, Franz Lizt e Piotr Tchaikovsky, na época já bem passado dos 70 anos (hoje ele tem 82), o pianista apresenta-se em cidades tão diferentes quanto a pequenina Andrequiçé (MG), de 2000 habitantes) quanto Casinhas e Caprobó (PE) e outras ao longo da Transamazônica - o que exige o transporte do caminhão em balsas. Para isso, conta com um piano desmontável, que ocupa o pequeno palco que se monta ao lado do caminhão, e onde ele dedilha as teclas com o mesmo entusiasmo e paixão com que manejou os pianos das maiores salas de espetáculo de Europa e dos EUA. Despojado, ele não esconde o entusiasmo pelo projeto, que define como “mais humanista do que musical”. Ele, que despreza uma atitude elitista diante da música erudita, sabe que seu público não conhece muitas das composições que interpreta, e que incluem compositores clássicos mas também populares, como Ernesto Nazareth. Ele conta que, nessas ocasiões, até “toca mais devagar” e a pergunta que se faz não é mais, como quando era jovem, o que ele quer tocar, mas sim “o que eles querem ouvir”.
 
Desejando que seus espectadores usufruam ao máximo da oportunidade, ele intercala as interpretações com conversas sobre os compositores e as melodias escolhidas, travando com eles uma conversa descontraída que, não raro, se estende às ruas das cidades, que ele percorre antes e depois das apresentações. Posa para fotos, ouve as conversas, toma café e ganha presentes, como uma toalha das bordadeiras de Andrequiçé. Neste momento da vida, ele conta que não se interessa mais por arranjos e gravações. Este contato com um público leigo e curioso é tudo o que o entusiasma. “É como uma missa campal. Nada substitui a música ao vivo”, define.
 
O documentário serve também como um cristalino testemunho da importância de política públicas para a popularização da arte. O projeto era patrocinado por grandes estatais – Petrobras, Correios e Caixa Econômica Federal – e foi, infelizmente, interrompido por governos inimigos da cultura a partir de 2018.  
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