04/06/2026
Documentário

Kobra - Auto Retrato

O artista plástico e muralista Eduardo Kobra se abre nesse documentário dirigido por Lina Chamie. No filme, ele fala sobre sua vida e sua trajetória, enquanto o filme também apresenta sua obra.

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O que mais impressiona num mural é sua dimensão gigantesca, sua capacidade de se embrenhar na cidade (quando são externos, é claro), e trazer um colorido à selva de pedra acinzentada. É também uma arte engajada, socialmente crítica e ligada a uma cultura mais fora do mainstream. Fora tudo isso, é democrática, não exige pagamento de entrada de museu, é acessível a todos. Em Kobra – Auto retrato, a cineasta Lina Chamie traz toda essa dimensão à obra do paulistano Eduardo Kobra, autor de murais em várias cidades, entre elas, São Paulo e Nova York.
 
Tendo como fio condutor uma longa entrevista com o artista, o documentário é um registro de seu trabalho e sua vida. Sem pudores, Kobra fala sobre sua trajetória, questões pessoais, e, obviamente, sua arte. Chamie é uma diretora atenciosa o bastante para conectar os pontos entre vida e obra, mas sem forçar as ligações, ou encontrar uma relação de causalidade. Ela, que também assina a montagem, está interessada no que esse artista e sua trajetória têm a dizer sobre o Brasil do século XXI.
 
Conhecido por seus murais coloridos, Kobra aponta a importância da arte tanto para ele, como para a periferia, de onde ele vem. Enquanto isso, o depoimento é entrelaçado por imagens de suas obras. O cinema, nesse sentido, tem uma vantagem sobre a visão humana. Quando vemos um mural, por mais que prestemos atenção em detalhes, é sua grandiosidade que impressiona. Sua dimensão impede que vejamos com clareza partes que estão, por exemplo, no topo. Munido de drones, esse documentário pode esmiuçar cada pedacinho aproximando-se da pintura.
 
Chamie, em sua obra – seja ficcional ou documental –, transforma São Paulo numa personagem. A cidade surge imponente, mas ao mesmo tempo sensibilizada com um colorido vibrante que corta o cinza do concreto. O filme ganha vida nessa geografia da arte embrenhada na vida das pessoas. É um convite a prestar atenção naquela imagem grande e, às vezes, estranha que pode passar despercebida no dia-a-dia. E, assim, Kobra – Auto retrato ganha também essa função social, de nos chamar a atenção, mais uma vez, para a arte e a cultura, tão aviltadas nesse país nos últimos anos.
 
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