Mais do que seu antecessor (lançado direto em streaming no Brasil), Terrifier 2 é para os fortes de estômago. Com seu gosto pelo sangue, o filme abusa da violência e do grotesco pelo mero fato de que pode abusar da violência e do grotesco. Mas, de qualquer forma, o longa de Damien Leone tem seu público cativo. Com um orçamento claramente maior do que o primeiro longa (visivelmente tosco de produção), a sequência tem inexplicáveis mais de 2 horas de duração.
O protagonista dessa série de slashers é o palhaço Art (David Howard Thornton), que volta das cinzas para espalhar uma violência sádica e um banho de sangue, o que torna o filme uma espécie de cruzamento entre It e Jogos Mortais. Esse protagonista, que jamais fala, tem um quê do mímico Marcel Marceau com suas gracinhas mudas – mas, obviamente, ele quer é ver sangue.
Se nenhum dos filmes recentes da série Halloween fez lembrar os dias de glória do subgênero do horror, Terrifier 2 é o longa para isso. Sangue em abundância quase infinita e formas absurdas de matar as vítimas são centrais aqui, assim como uma combinação de comédia e grotesco protagonizado por esse palhaço, que se tornou um queridinho do gênero desde o lançamento original do primeiro filme, em 2016.
Com a trama situada basicamente na noite do Dia das Bruxas, Art mata com prazer suas vítimas de forma quase aleatória. Há uma heroína, Sienna (Lauren LaVera), que parece saída direto dos terrores juvenis dos anos de 1980. Num filme tão marcado pela estilização das personagens, a atriz se sobressai, mostrando-se capaz de injetar uma boa dose de humanidade.
Humanidade é, aliás, uma ausência perceptível em Terrifier 2. A maneira como se lida com as vítimas de Art é meramente sádica, tornando-o grotesco e sanguinolento de forma absolutamente gratuita. Qual o sentido disso? Para alguns, vai ser mera diversão mesmo, e nada mais. O fato de o personagem se chamar Art pode apontar algum sentido metafórico – a arte mata sem piedade? ou algo do tipo. Mas aí seria dar crédito demais ao filme.
