Emily Brontë vive uma vida isolada e repleta de fantasia com suas irmãs, seu irmão e seu pai viúvo. Ela é conhecida como "a esquisita do vilarejo", mas a chegada de um assistente de seu pai, um jovem pároco, desperta nela um sentimento que nunca teve antes. Ao mesmo tempo, escreve seu único romance, "O morro dos ventos uivantes".
- Por Alysson Oliveira
- 21/12/2022
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Há uma cena central em Emily, primeiro longa dirigido pela atriz Frances O’Connor, que tem como protagonista a escritora do século XIX, Emily Brontë. É uma noite, e alguns e algumas jovens estão sentadas a uma mesa brincando com uma máscara, com a qual assumem personagens. Quando chega a vez de Emily, ela parece estar possuída pelo fantasma de sua mãe, que fala com as irmãs e o irmão. É um momento de poesia, mas também horror dentro do filme, que deixa bem claro que essa não é uma cinebiografia convencional.
Interpretada por Emma Mackey, Emily Brontë é uma jovem repleta de criatividade – que resultaria no seu único romance, O morro dos ventos uivantes, publicado em 1847 – e também melancolia e sagacidade, coisas que a colocam num patamar diferente de outras jovens da época – embora suas irmãs, Charlotte (Alexandra Dowling) e Anne (Amelia Gething), também sejam criativas e inteligentes.
O’Connor, que também assina o roteiro, tem um olhar sensível para a posição feminina na sociedade da época, mas também seus ecos que perduram até hoje. É como se Emily fosse a mulher certa no momento errado da história. Sua sagacidade, sua paixão e seu amor pelas letras são sufocados pelo patriarcado, que relega às mulheres como ela a posição de governanta – um trabalho ao qual ela não se adaptou.
A irmã mais velha, Charlotte, é cruel, e sempre diz que Emily é “a estranha do vilarejo”. Já a caçula, Anne, é mais próxima e generosa com a protagonista. Há ainda o irmão, Branwell (Fionn Whitehead), com quem ela mantém uma relação bastante próxima. Mas é em William Weightman (Oliver Jackson-Cohen), que Emily encontra alguém para amar – embora, historicamente, haja uma controvérsia que ele tenha se envolvido romanticamente com Anne.
O rapaz é um cura da paróquia do pai das Brontë, um padre e escritor anglicano, interpretado por Adrian Dunbar. Em seu primeiro sermão, o recém-chegado fala com uma linguagem evocativa, um texto repleto de metáforas e menções à natureza, impressionando a todos e todas – em especial Charlotte –, mas não a Emily. Mas quando a irmã mais velha é mandada para uma escola onde dará aulas, é Emily quem se aproxima de Weightman, cujas aulas de francês logo se transformam em algo mais.
A família, no entanto, entra em declínio quando Branwell se envolve com álcool e drogas, e Charlotte fica mais deslumbrada com o mundo real do que aquele fantasioso que criou com as irmãs. Ao mesmo tempo, Emily produz seu único romance. Os puristas mais aficionados sobre as Brontë, possivelmente, irão frustrar-se com as mudanças que O’Connor introduz na família e na cronologia de sua história, mas não é nada que atrapalhe o filme e sua narrativa em si.
