03/06/2026
Comédia

Fervo

Os arquitetos Leo e Marina compram uma mansão abandonada por um preço baixo, e pensam em reformar o lugar e vender por um alto valor. Mas, antes disso, precisam lidar com um trio de fantasmas que não consegue deixar o lugar.

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A comédia nacional Fervo não se encaixa exatamente no subgênero de filmes espíritas, tão comuns no cinema brasileiro, embora, no fundo, seja um longa espírita. É a história de um trio de fantasmas presos neste mundo, que passam o tempo assustando os vivos, pois não podem ir para o mundo espiritual – e não sabem o porquê.
 
Leo (Felipe Abib) e Mariana (Georgina Goes) são um casal de arquitetos que compram casas caindo aos pedaços e as reformam para depois vender caro. A atual aquisição é uma pequena mansão na serra carioca, longe de tudo, que está abandonada e, por isso, foi vendida muito barato.
 
Assim que chega, Leo é atacado pelos fantasmas, que querem expulsar quem se arrisca a morar no lugar abandonado há mais de 20 anos. No entanto, logo o trio estabelece contato com ele, uma vez que é o único que pode vê-los. A drag Mo Nanji Manhattan (Rita Von Hunty), Diego (Gabriel Godoy) e Lara (Renata Gaspar) confessam que não conseguem sair dali -  toda vez que tentam ir à rua, acabam num limbo.
 
O roteiro de Thiago Gadelha custa a encontrar a real trama do filme. As cenas forçadas a ser cômicas são deslocadas, como quando Leo tem uma conversa ambígua com seu melhor amigo, Jorge (Dudu Azevedo), sobre se é uma drag queen sonâmbula ou não. Depois também há um momento em que a mulher dele e os pais (Rosi Campos e Hamilton Vaz Pereira) assumem que ele é gay.
 
Fervo só entra nos trilhos quando se mostra mais um filme emocional do que engraçado. Aos poucos, o trio de fantasmas descobre que não conseguem descansar em paz pois aflições terrenas ainda os consomem. Mo Nanji, nascida Samuel, teme pela saúde de seus pais octogenários (Suely Franco e Tonico Pereira); Diego tem saudades de seu ex-namorado (Bukassa Kabengele), a quem nunca teve coragem de pedir em casamento; e Lara fica preocupada com sua família (sua mulher é interpretada por Julia Lemmertz).  Entra em cena um influencer sensitivo, Jonas (Paulo Vieira, a comicidade do filme), que ajudará na missão do trio de fantasmas. No elenco, também Joana Fomm, como a Morte.
 
Dirigido por Felipe Joffily, esse é um filme repleto de boas intenções e produção esmerada. Seu discurso de representatividade e aceitação do diferente está em sintonia com o mundo contemporâneo, mas como cinema poderia ser mais ambicioso. Inspirando-se numa comédia francesa, Poltergay, de Eric Lavaine, o brasileiro confia demais apenas na sua temática e no seu humor – e, nesse quesito, Paulo Vieira carrega o filme nas costas.
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