Martha Mitchell foi socialite do sul dos Estados Unidos, conservadora e polêmica, casada com o procurador-geral do governo de Richard Nixon, John N. Mitchell, e uma figura central no Watergate. "Se não fosse por Martha, não haveria Watergate", dizia Nixon.
Por décadas, Martha foi silenciada e sua história, narrada conforme interessava ao poder - ou seja, chamada de louca. Mas, como mostra o curta de Anne Alvergue e Debra McClutchy, ela era uma figura mais complexa e um tanto excêntrica - seu figurino e penteados mostram isso. Ainda assim, era mais sagaz do que os homens de seu tempo consideravam.
Com 40 minutos, o curta disseca o Watergate pelo prisma do olhar dessa mulher. Se em alguns momentos ela foi tomada como angry abandoned wife, o filme mostra o contrário. Em suas palavras, tornou-se uma prisioneira dos seguranças de seu marido, e sua vida virou de ponta-cabeça. Ela foi zombada por se declarar uma prisioneira política e, como em tantas histórias, isso se deu por ser uma mulher - se fosse um homem, certamente, teria sido levado a sério desde o começo.
O efeito Martha Mitchell é todo construído com imagens de arquivo alternando com conversas telefônicas com uma amiga e confidente - a jornalista política Helen Thomas, que, aliás, convenceu parte da imprensa a acreditar em Martha. Conforme resgatada no filme, sua história é, ao mesmo tempo, de tirar o fôlego e extremamente, triste, trágica. O curta é um tributo a ela e à sua trajetória, que deixou uma marca indelével na política dos EUA.
