No século XXI, os contos de fada nunca mais foram os mesmos no cinema, a começar por Shrek. O grande Mauricinho entra no subgênero de subversão das histórias “oficiais”, com graça e charme suficientes para se garantir em comparações. Partindo de um livro de Terry Pratchett, O fabuloso Mauricio, o filme satiriza o O Flautista de Hamelin, colocando um gato na equação, além dos ratos fofos e mercenários que só assustam para que o gato e o flautista ganhem dinheiro e depois dividam com os roedores.
O roteiro, assinado Terry Rossio – que também escreveu Shrek – traz toda a sagacidade e anarquia de Pratchett para a tela, que, sob a direção de Toby Genkel, encontra um colorido vibrante, personagens divertidos e situações inesperadas. Mas o que conta aqui realmente é que ninguém se leva muito a sério, parecendo ter noção da divertida bobagem que se vê na tela.
Mauricio é um gato laranja e esperto que armou com um flautista e uma trupe de ratos o esquema fraudulento. Os ratos assustam uma pequena cidade, todo mundo fica desesperado, chegam o bichano e Keith, com sua flauta, expulsam os roedores, ganham uma boa grana, e todos ficam felizes. A história do filme é narrada por Marina, uma garota apaixonada por livros, que conhece todas as artimanhas da literatura juvenil, o que a coloca numa posição privilegiada.
Marina é mais esperta que os demais, mas não irritante. O filme sabe dosar sua picardia e seus comentários ácidos. E, inesperadamente, ela se torna aliada do gato e seus amigos num próximo golpe, quando uma cidade parece que foi realmente tomada por uma praga real, e a comida desapareceu por completo . Por trás disso, há o monarca que quer ainda mais poder sobre seus súditos.
Embora Mauricio venha no título do filme, o show é dos ratos tanto quanto dele. Os animaizinhos honram com gosto a tradição de seus pares no cinema – como Stuart Little e Remy, de Ratatouille. Eles são mais fofos e engraçadinhos, em comparação ao felino sarcástico e debochado.
